Açaí
Euterpe oleracea Mart. (fruto/polpa)
Uma palmeira nativa da Amazônia brasileira, cujo fruto roxo-escuro sempre foi alimento básico dos ribeirinhos, comido puro com farinha de mandioca muito antes de virar tendência global. É uma das frutas mais ricas em antocianinas, pigmentos antioxidantes.
Aqui usamos a polpa do fruto, a parte que vira o açaí batido que se come de tigela ou com farinha. O caroço (a semente grande de dentro do fruto) e as folhas da palmeira não fazem parte desta ficha.
O açaí é melhor enquadrado como um alimento antioxidante do dia a dia do que como um remédio. Não foi localizada monografia de Euterpe oleracea no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., nem entrada na lista RENISUS. O que existe é um bom volume de estudos científicos sobre a composição da polpa, não uma indicação terapêutica oficial.
Para que serve
- Ação antioxidante da polpa, ligada à alta concentração de antocianinas (pigmentos que dão a cor roxa ao fruto): um estudo de revisão brasileiro reuniu pesquisas mostrando que essas antocianinas ajudam a modular o metabolismo de gorduras e reduzir o estresse oxidativo associado a doenças crônicas, o que sustenta cientificamente o uso da polpa como alimento antioxidante do dia a dia, sem que isso configure indicação de tratamento de doença
- Apoio tradicional ao envelhecimento da pele, pelo mesmo efeito antioxidante (sabedoria popular, coerente com a composição química da fruta, mas sem estudo clínico específico sobre pele encontrado)
- Apoio tradicional ao colesterol (sabedoria popular)
- Uso tradicional de apoio à fadiga e à imunidade, por ser um alimento denso em calorias e nutrientes, tradicionalmente usado como reforço energético pelos ribeirinhos (sabedoria popular)
Como usar
Preparo caseiro simples com a polpa do fruto, do jeito que se come na Amazônia há gerações.
Ingredientes
- 100 a 200 ml de polpa de açaí pasteurizada, sem açúcar adicionado
- Água ou leite vegetal, a gosto
Passo a passo
- Bata a polpa com o líquido escolhido.
- Consuma em seguida.
Frequência: 1 porção ao dia, dentro de uma alimentação equilibrada.
Fonte: uso tradicional (sabedoria popular), próximo do consumo alimentar da fruta, sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed.
Combina com
Camu-camu e romã
somam no efeito antioxidante (sabedoria popular)
Maca e guaraná (moderado)
reforçam a energia, com atenção à soma de estimulantes se usar guaraná (sabedoria popular)
Cúrcuma e gengibre
combinação tradicional para apoio anti-inflamatório (sabedoria popular)
Cuidados
- Doença de Chagas: consuma sempre polpa pasteurizada. O açaí in natura, não pasteurizado, já foi associado, em áreas endêmicas, à transmissão do parasita que causa a doença de Chagas, por contaminação do fruto durante a colheita ou o processamento artesanal.
- Alergia: rara, mas possível, especialmente em pessoas com alergia a pólen.
- Calorias: a polpa é calórica e rica em gordura vegetal. Controle a quantidade se você está em processo de restrição calórica.
- Diabetes: prefira sempre a polpa pura, sem adição de xarope de guaraná ou outros açúcares, comuns em açaiterias, que elevam bastante o índice glicêmico do prato.
- Gestantes e lactantes: o consumo alimentar da polpa pasteurizada é considerado seguro dentro de uma dieta equilibrada; na dúvida, converse com seu médico ou nutricionista, principalmente sobre a quantidade.
- Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas dentro de uma alimentação equilibrada. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Em Belém, no Pará, consomem-se centenas de toneladas de açaí por dia, um alimento que sempre foi cotidiano e acessível para famílias ribeirinhas muito antes de pesquisadores estrangeiros publicarem estudos sobre seu conteúdo antioxidante, no início dos anos 2000, e o fruto virar um produto valorizado no mercado internacional. Um levantamento científico brasileiro mostrou que a concentração de antocianinas na polpa varia bastante, entre cerca de 12 e 205 mg a cada 100 gramas, conforme a origem do fruto, o clima e o momento da colheita, o que explica por que o açaí de um lugar pode ter cor e sabor diferentes do de outro.
Referências
- CEDRIM, P. C. A. S.; BARROS, E. M. A.; NASCIMENTO, T. G. Propriedades antioxidantes do açaí (Euterpe oleracea) na síndrome metabólica. Brazilian Journal of Food Technology, v. 21, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-6723.09217
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

