Acerola
Malpighia emarginata DC. (fruto)
Um arbusto nativo da América tropical, com frutinhas vermelhas parecidas com cerejas, que os sertanejos nordestinos já comiam havia séculos como remédio para resfriado antes de a ciência descobrir, em 1946, que carregam uma das maiores concentrações naturais de vitamina C do mundo.
Aqui usamos o fruto maduro, comido ou batido em suco. Não há uso medicinal registrado das folhas ou da casca do arbusto nesta ficha.
Não foi localizada monografia de Malpighia emarginata no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., nem entrada na lista RENISUS. Os preparos abaixo seguem medida caseira de uso tradicional, próxima do consumo alimentar da fruta.
Para que serve
- Fortalecimento do sistema imunológico, pela altíssima concentração natural de vitamina C: estudos de composição mostram entre 3 e 46 gramas de vitamina C por quilo de polpa, uma das maiores concentrações naturais conhecidas em uma fruta
- Melhora a absorção da própria vitamina C: um estudo japonês com células humanas de intestino mostrou que a acerola, além de fornecer vitamina C, também aumenta a atividade do transportador celular responsável por absorver essa vitamina, o que sugere uma vantagem sobre tomar vitamina C isolada
- Apoio tradicional em anemia, ajudando na absorção de ferro dos alimentos (a vitamina C melhora a absorção de ferro não heme, mecanismo bem descrito na nutrição, embora o efeito específico da acerola nesse processo seja sabedoria popular mais do que estudo dedicado)
- Apoio científico preliminar contra o envelhecimento da pele: um estudo de laboratório com células de pele humana (fibroblastos) mostrou que o extrato de acerola protegeu essas células do dano oxidativo, mas é um estudo em célula isolada, não um ensaio clínico em pessoas, e não deve ser lido como promessa de resultado visível na pele
Como usar
Ingredientes
- 4 a 6 acerolas maduras (fruto)
- Água, a gosto
Passo a passo
- Bata as acerolas com água no liquidificador.
- Coe se preferir.
- Beba logo depois de preparar, pois a vitamina C se degrada com o tempo e o calor.
Frequência: 1 copo ao dia.
Fonte: uso tradicional (sabedoria popular), próximo do consumo alimentar da fruta, sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed.
Combina com
Equinácea e sabugueiro
somam no apoio à imunidade (sabedoria popular)
Urtiga
reforça a absorção de ferro (sabedoria popular)
Rosa-mosqueta e centela-asiática
combinação tradicional para colágeno e pele (sabedoria popular)
Cuidados
- Cálculos renais: doses muito altas de vitamina C podem favorecer cálculos de oxalato em pessoas predispostas. Não exagere na quantidade.
- Diarreia: o excesso de vitamina C pode causar diarreia osmótica.
- Diabetes: a fruta tem açúcar natural; diabéticos devem moderar o consumo da fruta in natura.
- Gestantes e lactantes: o consumo alimentar da fruta é considerado seguro dentro de uma dieta equilibrada; evite doses concentradas tipo suplemento sem orientação profissional.
- Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Os sertanejos nordestinos chamavam a acerola de "cereja do sertão" e a davam às crianças como remédio caseiro para resfriado muito antes de qualquer laboratório analisar a fruta. Quando pesquisadores da Universidade de Porto Rico finalmente a estudaram, em 1946, ficaram surpresos com os níveis de vitamina C, uma confirmação científica tardia de um costume popular que já existia havia gerações. Estudos mais recentes com variedades brasileiras cultivadas no semiárido nordestino confirmam que a fruta segue rica em compostos fenólicos e vitamina C mesmo em clima seco, reforçando por que a região sempre valorizou tanto essa fruta pequena e ácida.
Referências
- TAKINO, Y.; AOKI, H.; KONDO, Y.; ISHIGAMI, A. Acerola (Malpighia emarginata DC.) Promotes Ascorbic Acid Uptake into Human Intestinal Caco-2 Cells via Enhancing the Gene Expression of Sodium-Dependent Vitamin C Transporter 1. Journal of Nutritional Science and Vitaminology, v. 66, n. 4, p. 296-299, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.3177/jnsv.66.296
- ALVAREZ-SUAREZ, J. M.; GIAMPIERI, F.; GASPARRINI, M. et al. The protective effect of acerola (Malpighia emarginata) against oxidative damage in human dermal fibroblasts through the improvement of antioxidant enzyme activity and mitochondrial functionality. Food & Function, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1039/c7fo00859g
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

