Agnocasto
Vitex agnus-castus L. (frutos)
Um arbusto do Mediterrâneo, de frutos pequenos parecidos com grãos de pimenta, cujo nome latino significa cordeiro casto: monges medievais mastigavam suas sementes acreditando que reduziam o desejo sexual. É uma das plantas mais estudadas da Europa para o equilíbrio do ciclo menstrual.
Aqui usamos o fruto seco, a "sementinha" parecida com pimenta que dá nome à planta. Não são as folhas nem as flores que entram nos preparos desta ficha.
Esta erva atua sobre o eixo hormonal, na região do cérebro que regula hormônios femininos, por isso interage com anticoncepcionais e terapias hormonais (veja "Cuidados"). Quem está em tratamento de fertilidade deve conversar com o médico antes de usar.
Para que serve
- Ajuda no alívio dos sintomas leves da tensão pré-menstrual, indicação reconhecida no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia para as quatro formas farmacêuticas oficiais da planta (tintura e três apresentações de cápsula)
- Base científica europeia consistente: o agnocasto é uma das plantas mais estudadas da fitoterapia europeia para o ciclo menstrual, com diversos estudos clínicos compilados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) sustentando a indicação oficial
- Efeito percebido apenas com uso contínuo, nunca de forma imediata (ver "Cuidados")
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia, feito com o fruto seco macerado em álcool. Os efeitos costumam aparecer depois de três meses de uso contínuo.
Ingredientes
- Fruto seco de agnocasto: 20 g
- Álcool etílico 68 a 70% q.s.p. 100 mL
Passo a passo
- tomar 0,15 ml da tintura, diluídos em 50 ml de água, uma vez ao dia.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Vitex agnus-castus L., p. 209 a 211.
Combina com
Dong quai e cúrcuma
combinação tradicional para TPM e ciclo, sempre com atenção às contraindicações de cada erva (sabedoria popular)
Framboesa e sálvia
somam no apoio ao ciclo irregular (sabedoria popular)
Cuidados
- Anticoncepcionais e terapias hormonais: contraindicado para quem está em tratamento com reposição hormonal, anticoncepcionais orais ou outros hormônios sexuais.
- Medicamentos dopaminérgicos: contraindicado para quem usa antagonistas de receptores dopaminérgicos, como domperidona e metoclopramida.
- Gestantes e lactantes: uso contraindicado, pela falta de dados adequados de segurança.
- Histórico de tumor hormônio-dependente ou da hipófise: consulte um médico antes de usar, especialmente em caso de tumores da glândula pituitária secretores de prolactina, pois o agnocasto pode mascarar os sintomas.
- Tempo de efeito: os benefícios costumam ser percebidos após três meses de uso contínuo, não é uma erva de efeito imediato. Se os sintomas persistirem ou piorarem depois desse período, procure um médico.
- Reações adversas: podem ocorrer reações alérgicas graves, dificuldade para engolir, erupções na pele, dor de cabeça, tontura, náusea, dor abdominal, acne e alterações no ciclo menstrual.
- Formulação em tintura: especialmente contraindicada para gestantes, lactantes, alcoolistas e diabéticos, pelo teor alcoólico.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
O nome "agnus castus", cordeiro casto, vem da crença medieval de que a planta suprimia o desejo sexual, e por isso era mastigada por monges. Ironicamente, estudos modernos mostram que o agnocasto trabalha equilibrando hormônios, não reprimindo desejo, um mal-entendido que atravessou séculos antes de a ciência esclarecer o mecanismo real da planta. Um estudo egípcio conduzido com estudantes de enfermagem, publicado em 2012, foi um dos trabalhos usados para sustentar a indicação oficial de alívio da TPM que hoje consta no Formulário de Fitoterápicos brasileiro.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Vitex agnus-castus L., p. 209 a 211.
- IBRAHIM, R. M.; SOLIMAN, S. M.; MAHMOUD, H. M. Effect of Vitex agnus castus (VAC) on premenstrual syndromes among nursing students. Journal of American Science, v. 8, n. 4, p. 144-153, 2012 (estudo citado na monografia oficial do Formulário de Fitoterápicos).
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

