Foto de Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)

Role para descobrir

Alcaçuz

Glycyrrhiza glabra

Alcaçuz

Glycyrrhiza glabra L. e/ou Glycyrrhiza inflata Batalin e/ou Glycyrrhiza uralensis Fisch. ex DC. (raiz)

Uma raiz naturalmente doce, cerca de cinquenta vezes mais que o açúcar, encontrada em tumbas egípcias de mais de três mil anos, incluindo a de Tutankhamon. Nativa do sul da Europa e da Ásia, chegou à medicina europeia medieval como item indispensável da farmácia dos boticários, para garganta, tosse e digestão.

Aqui usamos a raiz seca, a parte doce que dá o nome à planta. Não confundir com o anis-estrelado ou a erva-doce, plantas diferentes que às vezes aparecem juntas em misturas de chá por terem sabor adocicado parecido.

O nome científico *Glycyrrhiza* vem do grego "glykys" (doce) e "rhiza" (raiz), raiz doce, por causa da glicirrizina, seu principal composto ativo e também a razão de a maioria dos cuidados desta ficha existir.

Para que serve

tossedor de gargantagastritediarreiafadigaimunidade baixa

Como usar

Ingredientes

  • 1,5 a 2 g de raiz seca e rasurada de alcaçuz
  • 150 ml de água quente

Passo a passo

  1. Prepare por decocção ou infusão, considerando a proporção indicada.
  2. Coe e beba.

Frequência: 150 ml, após as refeições, de 2 a 4 vezes ao dia.

Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Glycyrrhiza glabra L. e/ou espécies relacionadas, p. 95 a 97.

Combina com

Guaco

soma no efeito expectorante para tosse (sabedoria popular)

Malva

reforça o cuidado com a garganta irritada (sabedoria popular)

Espinheira-santa

combinação tradicional para o desconforto gástrico, sempre respeitando o tempo máximo de uso do alcaçuz (sabedoria popular)

Cuidados

  • Pressão alta: uso contraindicado. O alcaçuz pode elevar a pressão arterial, mesmo em quem não tem histórico da condição, quando usado em doses altas ou por tempo prolongado.
  • Doenças renais, hepáticas e cardiovasculares, hipocalemia e hipertonia: uso contraindicado, pela maior suscetibilidade a efeitos adversos.
  • Uso restrito a adultos: contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 18 anos.
  • Uso prolongado ou doses elevadas: podem causar retenção de sódio e água, perda de potássio, hipertensão arterial, edema, arritmia cardíaca e, em casos raros, encefalopatia hipertensiva ou dano muscular (mioglobinúria).
  • Gestantes, lactantes e mulheres tentando engravidar: uso não recomendado. Estudos em animais mostraram toxicidade reprodutiva.
  • Medicamentos: não usar junto com espironolactona, amilorida, corticosteroides, diuréticos, glicosídeos cardiotônicos ou laxantes estimulantes. Pode antagonizar o efeito de anti-hipertensivos e potencializar o de inibidores da MAO. Pode aumentar a biodisponibilidade da nitrofurantoína.
  • Diabetes e sobrepeso: uso não recomendado, pelo risco aumentado de complicações metabólicas e cardiovasculares.
  • Recuperação de alcoolismo: não utilizar, pela maior sensibilidade a efeitos adversos, especialmente miopatia por perda de potássio.
  • Tempo de uso: não ultrapassar quatro semanas de uso. Se os sintomas de tosse persistirem por mais de três dias, ou se surgir febre, falta de ar ou secreção purulenta, procure um médico.
  • Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.

Você sabia?

Na medicina tradicional chinesa, o alcaçuz é chamado de "grande pacificador", usado em quase todas as fórmulas tradicionais para harmonizar os outros ingredientes e reduzir a toxicidade de compostos mais fortes. Um uso que soa quase irônico, considerando que a própria planta exige tanto cuidado quando usada sozinha em excesso. O Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira reconhece, na verdade, três espécies diferentes de Glycyrrhiza como fontes aceitas da mesma droga vegetal (G. glabra, G. inflata e G. uralensis), porque as três produzem raízes quimicamente parecidas o suficiente para serem tratadas como equivalentes farmacêuticos.

Referências

  • Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Glycyrrhiza glabra L. e/ou Glycyrrhiza inflata Batalin e/ou Glycyrrhiza uralensis Fisch. ex DC., p. 95 a 97.

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

Voltar às ervas