Foto de Alho (Allium sativum)

Role para descobrir

Alho

Allium sativum

Alho

Allium sativum L. (bulbo/bulbilho)

Um bulbo de cheiro forte e sabor picante, usado como alimento e remédio havia milênios em praticamente toda cultura humana. Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo britânico pediu à população que doasse alho para hospitais de campo, que aplicavam o suco diretamente em feridas infectadas.

Aqui usamos o bulbo, e mais especificamente o bulbilho, cada um dos "dentes" que formam a cabeça de alho. É a parte que vai para a panela e também a matéria-prima de todas as formas farmacêuticas oficiais da planta.

Para que serve

imunidade baixagripe e resfriadocandidíasecolesterol altopressão alta

Como usar

O preparo oficial da Farmacopeia, à base do bulbo fresco.

Ingredientes

  • Bulbo fresco de alho: 20 g
  • Álcool etílico 80% q.s.p. 100 mL

Passo a passo

  1. tomar 3 a 10 ml da alcoolatura, diluídos em 50 ml de água, divididos em 3 vezes ao dia.

Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Allium sativum L., p. 28 a 31.

Combina com

Gengibre e mel

reforçam o conforto durante o resfriado (sabedoria popular)

Alcachofra e cúrcuma

somam no cuidado com o colesterol (sabedoria popular)

Pau-d'arco e orégano

combinação tradicional para candidíase (sabedoria popular)

Cuidados

  • Anticoagulantes e antiplaquetários: o alho tem efeito documentado sobre a coagulação. O uso concomitante com ácido acetilsalicílico e varfarina pode aumentar o tempo de sangramento.
  • Antes de cirurgias: suspenda o uso 7 dias antes, pelo risco de sangramento aumentado durante e após o procedimento.
  • Antirretrovirais: o uso com inibidores de protease, como o saquinavir, pode levar a falhas na terapia antirretroviral e possível resistência.
  • Lactantes: uso não recomendado.
  • Gestantes, alcoolistas e diabéticos: as formas de tintura ou alcoolatura são especialmente contraindicadas, pelo teor alcoólico da formulação.
  • Anti-hipertensivos: pode potencializar o efeito de medicamentos para pressão, como o captopril, e provocar hipotensão em quem já usa esse tipo de medicação.
  • Diuréticos: pode potencializar o efeito diurético da hidroclorotiazida.
  • Estatinas: a coadministração com atorvastatina pode aumentar a meia-vida desse medicamento, por inibição de uma enzima do fígado (CYP3A4).
  • Outros medicamentos: pode diminuir a efetividade da clorzoxazona, por induzir seu metabolismo.
  • Jejum: a ingestão de alho em jejum pode ocasionalmente causar azia, náusea, vômito e diarreia.
  • Uso crônico em doses excessivas: pode reduzir a produção de hemoglobina e causar lise de glóbulos vermelhos.
  • Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.

Você sabia?

Louis Pasteur, o pai da microbiologia, documentou o efeito bactericida do alho ainda no século 19, uma confirmação científica precoce de um uso que já vinha de milênios antes, presente em praticamente toda tradição médica popular do mundo, do Egito antigo à medicina tradicional chinesa. O Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira reconhece cinco formulações oficiais diferentes do alho (alcoolatura, tintura e três tipos de cápsula), cada uma com uma indicação de uso ligeiramente distinta, o que é raro entre as plantas medicinais brasileiras e mostra o quanto essa planta já foi estudada.

Referências

  • Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Allium sativum L., p. 28 a 31.

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

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