Angélica
Angelica archangelica L. (raiz e sementes)
Uma planta europeia de raiz grossa e aromática, envolta numa lenda medieval que atribui sua descoberta a uma revelação recebida durante uma praga, o que lhe deu o nome de raiz do Espírito Santo. É uma das grandes ervas amargas digestivas da tradição europeia, hoje também ingrediente de licores clássicos.
Aqui usamos a raiz grossa da angélica e, em menor escala, as suas sementes, não a parte aérea florida nem as folhas. É a raiz seca e fatiada, ou as sementes secas, que entram no preparo abaixo.
Não foi localizada monografia de Angelica archangelica no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., nem na lista RENISUS. Os preparos abaixo seguem medida caseira de uso tradicional europeu, de onde a planta é originária.
Para que serve
- Uso tradicional para digestão muito lenta e pesada (sabedoria popular): a raiz é uma das grandes amargas digestivas da tradição europeia, usada tradicionalmente para estimular a secreção de sucos gástricos antes das refeições mais pesadas
- Apoio tradicional em falta de apetite (sabedoria popular), sobretudo em convalescença
- Uso tradicional para gases e sensação de estufamento (sabedoria popular) depois de comer
- Apoio tradicional à circulação periférica e à fadiga (sabedoria popular), associado ao efeito de aquecimento que a tradição popular atribui à raiz
Como usar
Preparo tradicional europeu, tomado antes das refeições para "abrir" o apetite e ajudar a digestão pesada.
Ingredientes
- 1 colher de chá de raiz seca fatiada ou de sementes secas de angélica
- 200 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque a raiz ou as sementes numa xícara.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
- Coe e beba.
Frequência: 1 xícara, 30 minutos antes das principais refeições, até 3 vezes ao dia.
Fonte: uso tradicional, sabedoria popular europeia (medida caseira), sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed.
Combina com
Losna e carqueja
somam no apoio à digestão muito lenta
Gengibre e funcho
reforçam o apoio à falta de apetite
Canela
combinação tradicional para circulação fria
Cuidados
- Fotossensibilidade: a angélica contém furocumarinas, que tornam a pele mais sensível ao sol. Evite exposição solar intensa durante o uso, especialmente após contato direto com a planta fresca.
- Gestantes: uso contraindicado. A planta é tradicionalmente associada a estímulo das contrações uterinas.
- Anticoagulantes: pode potencializar o efeito de anticoagulantes como a varfarina. Tenha cautela se você usa esse tipo de medicamento.
- Úlcera péptica ativa: evite o uso, pois a planta estimula a produção de ácido gástrico.
- Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
A angélica é ingrediente clássico de licores digestivos europeus tradicionais, como o Chartreuse e o Bénédictine, uma continuidade direta entre o antigo uso medicinal amargo da planta e a coquetelaria que se consolidou séculos depois, quando os mesmos mosteiros que a cultivavam para remédio passaram a destilá-la.
Referências
- KNAPP, C. F. 3rd; ELSTON, D. M. Botanical briefs: garden Angelica (Angelica archangelica). Cutis, v. 84, n. 4, p. 189 a 190, 2009.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

