Barbatimão
Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville (entrecasca)
Uma árvore do cerrado brasileiro, de casca grossa e riquíssima em taninos, usada havia gerações pelos povos indígenas para cicatrizar feridas de guerra. A mesma casca que cura ferimentos é usada na indústria do couro para curtir peles, uma dupla função que resume bem a força adstringente da planta.
A parte usada é a entrecasca, a camada intermediária entre a casca externa e o lenho do tronco, rica em taninos, e não a casca externa como um todo. O uso desta ficha é externo: na pele e nas mucosas da boca. É assim que a planta é tratada na Farmacopeia Brasileira. O barbatimão consta também na lista RENISUS, do Ministério da Saúde.
Para que serve
- Cicatrizante e antisséptico da pele e das mucosas
- Auxilia feridas e queimaduras leves (uso externo)
- Ajuda em aftas e inflamações da boca, em bochecho
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia.
Ingredientes
- 2,9 a 3,1 g de entrecasca de barbatimão
- 150 ml de água
Passo a passo
- Aqueça a água até ferver.
- Coloque a entrecasca pulverizada.
- Tampe e mantenha em fervura por 5 minutos.
- Filtre e deixe esfriar até a temperatura ambiente.
- Faça bochecho.
Frequência: 2 a 3 vezes ao dia.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville, p. 189 a 191.
Combina com
Calêndula e confrei
somam no cuidado com feridas crônicas (todos de uso externo)
Pau-d'arco e babosa
reforçam o cuidado tópico com candidíase
Própolis e cravo
combinação tradicional para aftas e gengiva
Cuidados
- Gestantes e lactantes: uso contraindicado, pela falta de dados adequados de segurança.
- Alergia: contraindicado para quem tem hipersensibilidade aos componentes da formulação.
- Interação com alcaloides: plantas ricas em taninos, como o barbatimão, não devem ser usadas junto com plantas ricas em alcaloides, pela incompatibilidade química entre os dois grupos de substâncias.
- Reação no local: se ocorrer reação alérgica na área de aplicação, interrompa o uso.
- Identificação da espécie: use produtos de fontes confiáveis, que garantam se tratar de Stryphnodendron adstringens verdadeiro.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
O barbatimão está entre as plantas com estudos clínicos publicados no Brasil para cicatrização de úlceras de decúbito, uma validação moderna de um uso que os povos do cerrado já conheciam bem antes de qualquer publicação científica, quando usavam a casca da árvore para tratar feridas de guerra.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville, p. 189 a 191.
- Ministério da Saúde. Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus/tabela-renisus.. Acesso em 2026.
- SOUZA, C. A. L. et al. Efeito do barbatimão (Stryphnodendron adstringens) no controle da candidíase vulvovaginal: estudo clínico randomizado e análise in vitro. Revista Caderno Pedagógico, v. 22, n. 14, p. 1 a 20, 2025.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

