Boldo-do-jardim
Plectranthus barbatus Andrews (sin. Coleus barbatus (Andrews) Benth.); ver também Plectranthus ornatus Codd (boldinho), espécie próxima e igualmente usada como boldo
Uma planta suculenta de folhas grandes, peludas e de cheiro mentolado-amargo bem forte, cultivada em vasos em quintais brasileiros de norte a sul. É a planta que a maioria das pessoas chama simplesmente de boldo, mas é diferente do boldo-do-chile, outra ficha deste catálogo.
Um esclarecimento importante: o boldo-do-jardim (*Plectranthus barbatus*, também chamado de boldo-brasileiro, boldo-africano ou falso-boldo) é uma planta diferente do boldo-do-chile (*Peumus boldus*), que é a ficha "Boldo" deste catálogo. São parentes distantes, de famílias botânicas diferentes (Lamiaceae e Monimiaceae), com composições diferentes: o boldo-do-chile contém boldina, o principal composto hepatoprotetor, enquanto o boldo-do-jardim tem ação mais digestiva do que hepática.
No Brasil, o nome "boldo" (sem sobrenome) é usado de forma solta para mais de uma planta. Nesta ficha, tratamos das duas espécies do gênero *Plectranthus* mais usadas como boldo caseiro, parentes próximas e de preparo praticamente idêntico: **Plectranthus barbatus Andrews** (sin. *Coleus barbatus*): a mais cultivada e a mais estudada das duas, com monografia própria no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Nomes populares: boldo-brasileiro, boldo-africano, boldo-nacional, boldo-sete-dores, falso-boldo. **Plectranthus ornatus Codd** (boldinho): espécie próxima, de folhas menores, usada da mesma forma e para os mesmos fins na tradição popular, embora com poucos estudos científicos publicados até o momento. Nomes populares: boldinho, boldo-rasteiro, boldo-pequeno, boldo-gambá, tapete-de-oxalá.
Existe ainda uma terceira planta chamada popularmente de boldo no Brasil, o boldo-baiano ou alumã (*Vernonia condensata*), de uma família botânica totalmente diferente (Asteraceae, não Lamiaceae). Ela não é tratada em detalhe nesta ficha: se você comprou uma muda ou um maço com esse nome, confirme a espécie antes de usar, porque a composição e o preparo não são os mesmos.
Para que serve
- Auxiliar no alívio de sintomas dispépticos: má digestão, sensação de estômago pesado e desconforto depois de comer muito
- Alívio da azia depois das refeições
- Apoio em gases (sabedoria popular)
- Alívio de mal-estar depois de exageros alimentares e alcoólicos (sabedoria popular)
Como usar
Este é o preparo mais usado e mais recomendado na tradição popular brasileira para desconforto gástrico, e o detalhe mais importante desta ficha: a folha deve ser amassada em água fria, nunca fervida. Muita gente não sabe disso e prepara o boldo como faria com qualquer outro chá, fervendo as folhas, o que a sabedoria popular associa a um chá mais amargo e mais agressivo justamente para quem já está com o estômago sensível (sabedoria popular).
Ingredientes
- ½ a 1 folha fresca de boldo-do-jardim ou boldinho
- 1 xícara (200 ml) de água fria ou em temperatura ambiente
Passo a passo
- Lave bem a folha.
- Amasse a folha dentro da água fria, para liberar seu suco.
- Deixe descansar por alguns minutos.
- Coe e beba.
Frequência: até duas vezes ao dia, por no máximo três dias seguidos. Se o desconforto persistir além disso, procure orientação médica.
Fonte: uso tradicional (sabedoria popular). Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), fichas de boldo-sete-dores (*Plectranthus barbatus*) e boldo-pequeno (*Plectranthus ornatus*).
Combina com
Funcho e erva-cidreira
somam no alívio da digestão pesada
Camomila e gengibre
reforçam o efeito em gases e cólicas
Cuidados
- Gestantes e lactantes: uso interno contraindicado, em qualquer forma de preparo.
- Menores de 18 anos: uso interno contraindicado.
- Hipertensos: uso interno contraindicado.
- Obstrução das vias biliares, doença renal policística ou hepatite: uso interno contraindicado.
- Diarreia ativa: a planta estimula os movimentos intestinais. Evite o uso em quadros de diarreia.
- Alcoolatura e tintura: contraindicadas, especialmente, para gestantes, lactantes, alcoolistas e diabéticos, por causa do teor alcoólico da formulação.
- Interações medicamentosas: não usar junto com metronidazol, dissulfiram, medicamentos depressores do sistema nervoso central, anti-hipertensivos, digoxina, antiarrítmicos ou moduladores da tireoide. Estudos em animais mostraram redução do tempo de sono induzido por barbitúricos com o uso do extrato aquoso da planta, o que sugere possível interação também com essa classe.
- Efeito antiácido: por reduzir a acidez gástrica, pode reduzir a absorção de medicamentos cuja biodisponibilidade depende do pH do estômago.
- Tempo de uso: o uso contínuo não deve ultrapassar 30 dias. Se for necessário repetir, faça um intervalo de pelo menos 7 dias antes de recomeçar.
- Doses acima das recomendadas ou uso por período maior do que o recomendado podem causar irritação gástrica e desconforto gastrointestinal, o efeito contrário ao que se busca.
- Reações alérgicas: já foram relatados casos de dermatite de contato.
- Boldinho (*Plectranthus ornatus*): os estudos científicos sobre esta espécie ainda são escassos. Trate as mesmas contraindicações e cuidados do boldo-do-jardim como referência de segurança.
- Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Originária da África, o boldo-do-jardim se espalhou tanto pelos quintais brasileiros que a maioria das famílias que o cultiva acredita se tratar de planta nativa, uma confusão tão antiga e tão arraigada que faz parte da própria memória botânica popular do país. O boldinho, sua parente próxima, segue o mesmo caminho: é usado lado a lado com o boldo-do-jardim em tantas casas que poucas pessoas percebem que são duas espécies diferentes. Na tradição popular, a decocção das folhas de boldo-do-jardim e boldinho também é usada de forma externa contra piolhos, no banho da criança: a proporção citada é de 6 folhas para 1 litro de água (já fria), reduzida para apenas 1 folha em crianças menores de 4 anos (sabedoria popular, uso externo, sem relação com o efeito digestivo tratado nesta ficha).
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Plectranthus barbatus Andrews, p. 163 a 166.
- Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Boldo sete-dores (Plectranthus barbatus). Disponível em: https://hortodidatico.ufsc.br/boldo-sete-dores/.. Acesso em 2026.
- Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Boldo-pequeno (Plectranthus ornatus). Disponível em: https://hortodidatico.ufsc.br/boldo-pequeno/.. Acesso em 2026.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

