Camu-camu
Myrciaria dubia (Kunth) McVaugh (fruto)
Um arbusto que cresce nas margens de rios da Amazônia, com frutos pequenos e ácidos que os povos ribeirinhos comem havia gerações. É uma das fontes naturais mais concentradas de vitamina C já registradas, o que exige atenção à quantidade consumida.
Aqui usamos o fruto, mais especificamente a polpa que envolve a semente: é dela que vem toda a vitamina C e os antioxidantes que deram fama ao camu-camu, não da casca nem da semente. O camu-camu é melhor enquadrado como um alimento antioxidante concentrado do que como um remédio. Não foi localizada monografia de Myrciaria dubia no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., e a planta também não consta na lista RENISUS: o uso aqui descrito é alimentar e tradicional, apoiado por estudos de composição nutricional, não por indicação terapêutica oficial.
Para que serve
- Fortalecimento do sistema imunológico, pela altíssima concentração natural de vitamina C: estudos de composição química registram entre 1.410 e 2.780 mg de vitamina C por 100 g de polpa, uma variação que depende da maturação e da genética do fruto, mas que em qualquer ponto da faixa supera de longe frutas cítricas comuns
- Uso tradicional de apoio em quadros leves de desânimo (sabedoria popular, sem estudo específico em humanos para este uso)
- Uso tradicional em inflamações leves de pele (sabedoria popular, ligado ao efeito antioxidante geral da vitamina C, sem estudo clínico específico para uso tópico do camu-camu)
Como usar
Ingredientes
- 1/2 colher de chá de polpa liofilizada de camu-camu, ou a polpa de 1 a 2 frutas frescas
- 200 ml de água ou suco
Passo a passo
- Misture bem a polpa ou o pó ao líquido.
- Beba em seguida, pois a vitamina C se degrada com o tempo e o calor.
Frequência: 1 vez ao dia. O sabor é bem ácido; adoce levemente se precisar.
Fonte: uso tradicional (medida caseira), próximo do consumo alimentar da fruta, sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed.
Combina com
Própolis e sabugueiro
somam no apoio à imunidade
Acerola e pitanga
reforçam o aporte diário de vitamina C
Rosa-mosqueta e açaí
combinação tradicional antioxidante
Cuidados
- Excesso de vitamina C: por ser extremamente concentrado, uma pequena quantidade de camu-camu já fornece bastante vitamina C. Doses muito altas de vitamina C podem causar diarreia osmótica.
- Cálculos renais: doses muito altas de vitamina C podem favorecer cálculos de oxalato em pessoas predispostas. Modere a quantidade.
- Esmalte dos dentes: por ser muito ácido, enxágue a boca com água depois de consumir, para proteger o esmalte dentário.
- Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Os povos ribeirinhos da Amazônia consumiam camu-camu havia séculos sem saber que a fruta continha uma das maiores concentrações de vitamina C do planeta. A informação só chegou à ciência em 1957, quando o Ministério da Saúde do Peru fez a primeira análise nutricional do fruto e se surpreendeu com o resultado. Estudos peruanos mais recentes mostram que essa concentração varia bastante de fruto para fruto: quanto mais verde, maior costuma ser o teor de vitamina C, que tende a cair um pouco conforme o fruto amadurece e ganha mais antocianinas (o pigmento que dá a cor vermelho-arroxeada à casca madura).
Referências
- Castro Gómez, J. C.; Gutiérrez Rodríguez, F.; Acuña Amaral, C.; Cerdeira Gutiérrez, L. A.; Tapullima Pacaya, A.; Cobos Ruiz, M.; Imán Correa, S. A. Variación del contenido de vitamina C y antocianinas en Myrciaria dubia "camu camu". Revista de la Sociedad Química del Perú, v. 79, n. 4, p. 319-330, 2013. Disponível em: http://www.scielo.org.pe/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1810-634X2013000400004.. Acesso em 2026.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

