Cana-do-brejo
Costus spiralis (Jacq.) Roscoe (caule e folhas)
Uma planta brasileira de caule suculento em espiral, com folhas grandes e flores vistosas em tons de laranja ou vermelho, nativa de margens de rios e áreas úmidas do Brasil, o que explica o nome popular. É conhecida em algumas regiões como insulina vegetal, um apelido que vai além do que a ciência confirma até agora.
Aqui usamos o caule suculento (a "cana", a haste jointada que dá o nome popular à planta) e as folhas, não o rizoma no sentido estrito. Nome científico com pegadinha: existe uma confusão real, inclusive em trabalhos científicos e em embalagens comerciais, entre *Costus spiralis* (Jacq.) Roscoe e *Costus spicatus* (Jacq.) Sw., duas espécies de aparência muito parecida e do mesmo gênero. Segundo a base de dados internacional Plants of the World Online, do Royal Botanic Gardens, Kew, as duas são espécies aceitas e distintas: *Costus spicatus* tem distribuição nativa concentrada no México e no Caribe, enquanto *Costus spiralis* é a espécie nativa da América do Sul, incluindo o Brasil. O Horto Didático de Plantas Medicinais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), fonte institucional brasileira, identifica a "cana-do-brejo" cultivada e usada no país como *Costus spiralis*, assim como um dos trabalhos brasileiros mais antigos de caracterização botânica da planta, publicado na Revista Brasileira de Farmacognosia em 1986. Ainda assim, boa parte do comércio de ervas e até alguns estudos científicos conduzidos com material coletado no Brasil (inclusive um estudo sobre efeito nefroprotetor feito com planta de Mato Grosso do Sul) usam o nome *Costus spicatus*. Diante dessa ambiguidade real e documentada, esta ficha adota *Costus spiralis* como identificação principal, por ser a espécie de ocorrência nativa no Brasil segundo a fonte botânica internacional de referência e a instituição pública brasileira consultadas, mas reconhece que o nome *Costus spicatus* aparece com frequência para a mesma planta popular no país.
Não foi localizada monografia de *Costus spiralis* nem de *Costus spicatus* no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Os preparos abaixo seguem medida caseira de uso tradicional.
Para que serve
- Uso tradicional para infecção urinária leve (sabedoria popular)
- Apoio tradicional na retenção de líquidos, pelo efeito diurético relatado no uso popular (sabedoria popular)
- Uso tradicional preventivo em cálculo renal (sabedoria popular), com algum apoio de estudo pré-clínico: um estudo brasileiro em ratos observou efeito nefroprotetor e redução da formação de cristais renais com extrato de Costus spicatus de Mato Grosso do Sul, resultado que reforça o uso tradicional mas ainda não foi confirmado em humanos
Como usar
Para infecção urinária leve e retenção de líquidos.
Ingredientes
- 1 colher de sopa de caule seco picado (ou de folhas secas) de cana-do-brejo
- 200 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque o caule ou as folhas numa xícara.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão por 10 minutos.
- Coe e beba.
Frequência: 2 a 3 xícaras ao dia. Beba bastante água ao longo do dia, para acompanhar o efeito diurético.
Fonte: uso tradicional (sabedoria popular), sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed.
Combina com
Cavalinha
soma no apoio ao trato urinário
Dente-de-leão e erva-tostão
reforçam o efeito de apoio à retenção de líquidos
Quebra-pedra
combinação tradicional preventiva para cálculo renal
Cuidados
- Diabetes: apesar do apelido popular, a cana-do-brejo não substitui medicação para diabetes. Se você é diabético e usa a planta, monitore a glicemia, pelo possível efeito hipoglicemiante somado.
- Doença renal já estabelecida: o efeito diurético pode agravar quadros de insuficiência renal. Consulte um médico antes de usar.
- Gestantes: evite o uso interno durante a gestação.
- Identificação da planta: existem várias plantas populares chamadas de cana no Brasil, e ainda existe confusão científica entre Costus spiralis e Costus spicatus sob o mesmo nome popular. Certifique-se de comprar de fornecedor confiável, com o nome científico declarado, e identifique a planta pelo caule suculento em espiral e pelas flores vistosas, laranjas ou avermelhadas.
- Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
O caule da cana-do-brejo cresce em espiral, seguindo uma proporção que aparece também em conchas do mar e em sementes de girassol, um padrão geométrico da natureza que faz da planta quase uma demonstração viva de matemática, muito antes de qualquer estudo sobre suas propriedades diuréticas. É esse crescimento espiralado, aliás, que deu à espécie o nome científico spiralis.
Referências
- Kew Science, Plants of the World Online. Costus spiralis (Jacq.) Roscoe. Royal Botanic Gardens, Kew. Disponível em: https://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:796387-1.. Acesso em 2026.
- Kew Science, Plants of the World Online. Costus spicatus (Jacq.) Sw. Royal Botanic Gardens, Kew. Disponível em: https://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:329964-2.. Acesso em 2026.
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Cana-do-brejo. Horto Didático de Plantas Medicinais. Disponível em: https://hortodidatico.ufsc.br/cana-do-brejo/.. Acesso em 2026.
- Oliveira, F.; Saito, M. L.; Chunzum, M. Caracterização morfológica da cana-do-brejo Costus spiralis (Jacquim) Roscoe, Zingiberaceae, Costoideae. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 1, n. 2, 1986. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-695X1986000200003.. Acesso em 2026.
- Moreno, K. G. T.; Junior, A. G.; Dos Santos, A. C.; Palozi, R. A. C.; Guarnier, L. P.; Marques, A. A. M.; de Barros, M. E. Nephroprotective and antilithiatic activities of Costus spicatus (Jacq.) Sw.: ethnopharmacological investigation of a species from the Dourados region, Mato Grosso do Sul State, Brazil. Journal of Ethnopharmacology, v. 266, artigo 113409, 2021.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

