Canela
Cinnamomum verum J. Presl (sin. Cinnamomum zeylanicum Blume), a canela-do-ceilão (casca)
A casca aromática de uma árvore do Sri Lanka, tão valiosa na Antiguidade que egípcios e romanos pagavam fortunas por ela. Esta ficha é sobre a canela-do-ceilão (*Cinnamomum verum*), diferente da canela-cássia (*Cinnamomum cassia*), mais comum e mais barata no Brasil, mas rica em cumarina, substância que pode sobrecarregar o fígado em excesso.
Aqui usamos a casca da árvore, mais precisamente a entrecasca seca e enrolada em canudinhos finos, nunca a folha nem a semente. Para uso medicinal frequente, prefira a canela-do-ceilão, de casca mais clara, fina e quebradiça, em vez da cássia, de casca mais grossa e escura. No uso culinário do dia a dia, em pequena quantidade, a diferença importa menos.
Para que serve
- Auxilia no tratamento sintomático de queixas gastrointestinais leves, como cólicas, distensão abdominal e flatulência
- Ajuda no alívio sintomático da diarreia leve não infecciosa
- Apoio à glicemia no diabetes tipo 2, sempre como coadjuvante: uma revisão sistemática com metanálise de 6 ensaios clínicos (435 pacientes) mostrou redução significativa da hemoglobina glicada e da glicemia de jejum com o uso de canela por até 4 meses, mas os próprios autores pedem cautela porque os estudos variam muito em dose e tipo de canela usada
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia.
Ingredientes
- 0,5 a 1 g de casca seca e rasurada de canela-do-ceilão
- Água (quantidade suficiente)
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque a casca numa xícara ou bule.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
- Coe e beba, de preferência após as refeições.
Dose e frequência
Adultos
até 4 vezes ao dia, 10 a 15 minutos após o preparo
Uso contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 18 anos.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Cinnamomum verum J. Presl, p. 54 a 56.
Combina com
Gengibre e chá-verde
somam no apoio ao metabolismo
Pata-de-vaca e psyllium
combinação tradicional para controle glicêmico
Cravo e gengibre
reforçam o efeito de aquecimento na circulação
Cuidados
- Alergia: contraindicada para quem tem hipersensibilidade aos componentes da formulação ou ao bálsamo-do-peru.
- Gestantes, lactantes e menores de 18 anos: uso contraindicado, pela falta de dados de segurança.
- Diabetes em medicação: a canela pode potencializar o efeito de hipoglicemiantes. Monitore a glicemia com atenção e não ajuste a medicação por conta própria.
- Anticoagulantes: em doses altas, a canela pode ter leve ação anticoagulante. Tenha cautela se usa varfarina ou outros anticoagulantes.
- Diarreia persistente: se os sintomas durarem mais de dois dias, ou se houver sangue nas fezes, procure um médico.
- Sintomas digestivos persistentes: se durarem mais de duas semanas, suspenda o uso e procure orientação médica.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Por séculos, mercadores árabes guardaram como segredo a verdadeira origem da canela, inventando histórias fantásticas, como a de que ela era colhida de ninhos de aves lendárias, para proteger o monopólio do comércio. Hoje, estudos sobre a canela verdadeira confirmam efeitos sobre a glicemia que a antiga rota comercial jamais poderia imaginar.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Cinnamomum verum J. Presl, p. 54 a 56.
- Akilen, R.; Tsiami, A.; Devendra, D.; Robinson, N. Cinnamon in glycaemic control: systematic review and meta analysis. Clinical Nutrition, v. 31, n. 5, p. 609-615, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.clnu.2012.04.003.. Acesso em 2026.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

