Carqueja
Baccharis trimera (Less.) DC. (caule alado, parte aérea)
Uma planta do cerrado e dos campos do Brasil Central, de hastes aladas verde-intensas que fazem o papel das folhas, quase sem folhas de verdade. É um remédio caseiro tradicional no Sul do país para digestão pesada, tão presente no dia a dia quanto o boldo.
Aqui usamos o caule alado (a parte aérea da planta, essas hastes achatadas em forma de asa), já que a carqueja praticamente não tem folhas verdadeiras.
Para que serve
- Ajuda no alívio de sintomas dispépticos, como digestão pesada e desconforto após refeições gordurosas
- Uso tradicional e estudos em animais sugerem apoio ao colesterol e aos triglicérides, ainda sem confirmação em estudos clínicos robustos em humanos, sempre como coadjuvante. Uma revisão de literatura reuniu estudos pré-clínicos que associam compostos da carqueja (flavonoides, terpenos e ácidos clorogênicos) a efeito antioxidante e protetor do fígado e do estômago, mas reforça que a maior parte da evidência ainda vem de estudos em animais ou em laboratório, não de ensaios clínicos em pessoas
- Uso tradicional como planta amarga digestiva, para abrir o apetite antes das refeições (sabedoria popular)
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia.
Ingredientes
- 0,2 a 0,3 g de caule alado seco de carqueja
- 150 ml de água
Passo a passo
- Prepare por decocção, durante 5 minutos, considerando a proporção indicada.
- Coe e beba logo após o preparo.
Dose e frequência
Adultos
150 ml, 2 a 3 vezes ao dia, 30 minutos antes das refeições
Melhor horário: 30 minutos antes das refeições.
Uso restrito a adultos. Contraindicado durante a gestação e a lactação, pela falta de dados de segurança.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Baccharis trimera (Less.) DC., p. 45 a 48.
Combina com
Boldo e alcachofra
somam no cuidado com o fígado sobrecarregado
Hortelã
reforça o alívio de gases
Cuidados
- Alergia: contraindicada para quem tem hipersensibilidade a plantas da família Asteraceae.
- Gestantes e lactantes: uso contraindicado. Há tradição popular de uso abortivo da carqueja, o que reforça ainda mais a contraindicação na gestação: não use em nenhuma hipótese se estiver grávida ou tentando engravidar.
- Diabetes: a carqueja tem efeito hipoglicemiante documentado, inclusive já foram relatados casos de hipoglicemia mesmo em pessoas sem diabetes. Evite o uso concomitante com hipoglicemiantes sem orientação médica, e monitore a glicemia com atenção.
- Pressão arterial: pode causar hipotensão arterial, especialmente em uso prolongado, doses elevadas ou pessoas sensíveis. Evite o uso concomitante com anti-hipertensivos sem orientação médica.
- Uso prolongado (mais de 3 meses): doses excessivas e prolongadas podem provocar leucopenia (queda de glóbulos brancos).
- Antes de cirurgias: o uso deve ser interrompido duas semanas antes.
- Tempo de uso da tintura: restrito a, no máximo, duas semanas.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
A carqueja se adaptou de um jeito raro: em vez de fazer fotossíntese pelas folhas, como a maioria das plantas, ela faz isso pelas próprias hastes aladas, quase sem folhas verdadeiras. Uma solução de sobrevivência para o clima seco do cerrado que, de tão eficiente, virou também símbolo da resistência que a planta oferece ao fígado e à digestão.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Baccharis trimera (Less.) DC., p. 45 a 48.
- Rabelo, A. C. S.; Costa, D. C. A review of biological and pharmacological activities of Baccharis trimera. Chemico-Biological Interactions, v. 296, p. 65-75, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30240600/.. Acesso em 2026.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

