Cavalinha
Equisetum arvense L. (parte aérea estéril)
Uma planta primitiva, parente de espécies que existiam há mais de 300 milhões de anos, antes dos dinossauros, com hastes finas e articuladas parecidas com um rabo de cavalo. É uma das plantas diuréticas mais tradicionais da Europa, rica em sílica.
Aqui usamos a parte aérea estéril, ou seja, os ramos verdes que aparecem depois dos primeiros brotos férteis (esses, sim, descartados no uso medicinal). A Farmacopeia exige que o material passe por teste de detecção de adulteração com a espécie parecida *Equisetum palustre*, tóxica, o que reforça a importância de comprar de fornecedor confiável.
Para que serve
- Auxilia no aumento do fluxo urinário, como adjuvante em queixas menores do trato urinário, desde que situações graves já tenham sido descartadas por um médico
- Uso tradicional para queda de cabelo, pela presença de sílica
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia.
Ingredientes
- 1 a 4 g de partes aéreas secas e rasuradas de cavalinha
- 150 ml de água
Passo a passo
- Prepare por infusão ou decocção, durante 5 a 15 minutos.
- Coe e beba.
Dose e frequência
Adultos e a partir de 12 anos
150 ml, de 3 a 4 vezes ao dia, respeitando o máximo diário de 3 a 12 g da planta
Uso tradicional por 2 a 4 semanas. Contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 12 anos.
Importante: beba bastante água ao longo do dia, para acompanhar o efeito diurético.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Equisetum arvense L., p. 77 a 80.
Combina com
Chapéu-de-couro e hibisco
somam no efeito diurético
Urtiga
reforça o cuidado tradicional com cabelo e unhas
Confrei e cúrcuma (uso externo)
combinação tradicional para ossos e cartilagens
Cuidados
- Hidratação: o efeito diurético exige aumento da ingestão de água. Sem hidratação adequada, pode causar desconforto.
- Doença cardíaca ou renal grave, ou obstrução das vias urinárias: uso não recomendado, pois nessas condições a ingestão de líquidos pode precisar ser reduzida, o que conflita com o efeito da planta.
- Vitamina B1 (tiamina): a cavalinha contém uma enzima (tiaminase) que pode reduzir os níveis de vitamina B1 em uso excessivo ou prolongado, e o uso contínuo pode causar perda de potássio (hipocalemia). Evite uso prolongado sem pausa.
- Diuréticos sintéticos: não é recomendado o uso concomitante.
- Digitálicos: pode interagir, pela perda de potássio associada ao efeito diurético.
- Sinais de alerta: se ocorrer febre, dor ao urinar, cólica ou sangue na urina, procure um médico.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
As cavalinhas pré-históricas chegavam a 30 metros de altura e ajudaram a formar as florestas do período Carbonífero, muito antes dos dinossauros existirem. A espécie moderna é bem menor, mas carrega o mesmo silício que, séculos depois, também é usado no Japão para polir madeira, funcionando quase como uma lixa natural.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Equisetum arvense L., p. 77 a 80.
- Carneiro, D. M.; Freire, R. C.; Honório, T. C. D. D.; Zoghaib, I.; Cardoso, F. F. D. S. E. S.; Tresvenzol, L. M. F.; de Paula, J. R.; Sousa, A. L. L.; Jardim, P. C. B. V.; Cunha, L. C. D. Randomized, double-blind clinical trial to assess the acute diuretic effect of Equisetum arvense (field horsetail) in healthy volunteers. Evidence-based Complementary and Alternative Medicine, v. 2014, p. 8, 2014 (referência citada na monografia do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira).
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

