Foto de Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)

Role para descobrir

Erva-de-são-joão

Hypericum perforatum

Erva-de-são-joão

Hypericum perforatum L. (sumidade florida)

Uma planta de flores amarelas vibrantes, nativa da Europa e da Ásia ocidental, colhida tradicionalmente perto do solstício de verão europeu, próximo à festa de São João. É uma das plantas mais estudadas da fitoterapia para o humor, mas também uma das que mais interage com medicamentos, e por isso pede acompanhamento médico sempre que for usada.

A parte usada é a sumidade florida: as pontas dos ramos com flores, folhas e botões, colhidas no auge da floração. Um ponto importante desta ficha: a monografia completa de Hypericum perforatum não foi localizada no corpo principal do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. A planta aparece listada como incluída por um suplemento posterior (nas formas de tintura e cápsula com derivado), mas sem o texto integral da monografia disponível para consulta nesta ficha. Por isso, as quantidades abaixo seguem medida caseira de uso tradicional, não uma dose padronizada oficial, e o uso desta erva deve sempre passar por orientação médica antes de começar, dado o número de interações medicamentosas relevantes (veja "Cuidados").

Para que serve

depressão leveansiedadeinsôniairritabilidademenopausaesgotamento nervoso

Como usar

Antes de começar, converse com um médico, especialmente se você toma qualquer outro medicamento (ver "Cuidados": a lista de interações é longa e relevante).

Ingredientes

  • 1 colher de sopa de partes aéreas floridas secas de erva-de-são-joão
  • Água quente

Passo a passo

  1. Aqueça a água até quase ferver.
  2. Coloque a planta seca numa xícara ou bule.
  3. Despeje a água quente por cima.
  4. Tampe e deixe em infusão por 10 minutos.
  5. Coe e beba.

Dose e frequência

Adultos

1 xícara ao dia, sempre conforme orientação médica

Melhor horário: conforme orientação do profissional que acompanha o uso.

Uso não recomendado para crianças, gestantes e lactantes, pela falta de estudos de segurança suficientes e pelo risco de interações.

Fonte: preparo de uso tradicional, sem monografia específica na Farmacopeia Brasileira para esta forma; a planta consta apenas na lista de novas formas farmacêuticas incluídas por suplemento posterior.

Combina com

Esta ficha não recomenda combinações caseiras de erva-de-são-joão com outras ervas ou substâncias sem antes conversar com um médico, exatamente pelo número de interações medicamentosas conhecidas. Se você já usa outro calmante fitoterápico do catálogo, informe seu médico antes de somar a erva-de-são-joão à rotina.

Cuidados

  • Interação com anticoncepcionais hormonais: a erva-de-são-joão pode reduzir a eficácia de pílulas anticoncepcionais e outros métodos hormonais, com risco de gravidez não planejada.
  • Interação com antidepressivos: não deve ser combinada com antidepressivos (como ISRS ou IMAO) sem supervisão médica, pelo risco de síndrome serotoninérgica.
  • Interação com anticoagulantes: pode reduzir o efeito de anticoagulantes como a varfarina.
  • Interação com imunossupressores: pode reduzir os níveis de medicamentos como ciclosporina e tacrolimo, um risco sério para quem fez transplante de órgãos.
  • Interação com outros medicamentos: por induzir enzimas hepáticas (como CYP3A4) e a glicoproteína-P, pode reduzir a eficácia de antirretrovirais, digoxina e diversos outros medicamentos de uso contínuo. Uma revisão publicada no British Journal of Clinical Pharmacology documentou queda relevante nos níveis sanguíneos de varfarina, ciclosporina e inibidores de protease para HIV em pacientes que associaram erva-de-são-joão a esses medicamentos (Henderson et al., 2002). Se você toma qualquer medicamento regularmente, fale com seu médico antes de usar esta erva.
  • Fotossensibilidade: pode aumentar a sensibilidade da pele ao sol. Evite exposição solar intensa durante o uso.
  • Gestantes, lactantes e crianças: uso não recomendado, pela falta de dados suficientes de segurança.
  • Não interrompa nem inicie tratamento médico por conta própria: esta erva não substitui diagnóstico ou tratamento de depressão, ansiedade ou qualquer condição de saúde mental. Se você sente tristeza persistente, falta de prazer ou pensamentos de autolesão, procure ajuda profissional imediatamente.
  • Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas por um profissional. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.

Você sabia?

A lenda europeia conta que as flores amarelas da erva-de-são-joão mancham os dedos de vermelho quando espremidas, como o sangue de São João Batista. Essa tinta vermelha é a hipericina, um dos compostos estudados da planta, e o nome popular remonta à tradição de colher as flores no dia do santo, quando se acreditava que a planta tinha seu poder máximo.

Referências

  • HENDERSON, L.; YUE, Q. Y.; BERGQUIST, C.; GERDEN, B.; ARLETT, P. St John's wort (Hypericum perforatum): drug interactions and clinical outcomes. British Journal of Clinical Pharmacology, v. 54, n. 4, p. 349 a 356, 2002. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12392581/

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

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