Erva-doce
Pimpinella anisum L. (fruto/semente; nomenclatura popular na Farmacopeia: anis e erva-doce)
Uma planta baixa de sementes pequenas, ovaladas e muito aromáticas, da família das Apiaceae, nativa do leste do Mediterrâneo e do sudoeste da Ásia. Chegou ao Brasil com os portugueses e se tornou presença certa no cuscuz, no bolinho de chuva e, sobretudo, virou o chá caseiro de confiança para o desconforto digestivo da família.
A parte usada é o fruto seco, popularmente chamado de semente, pequeno e ovalado, rasurado ou levemente amassado na hora do preparo para liberar o óleo essencial. Um aviso importante antes de continuar: a erva-doce (*Pimpinella anisum*) não é o anis-estrelado, aquele fruto em forma de estrela vendido em lojas de tempero. O anis-estrelado é o *Illicium verum*, de uma família botânica totalmente diferente (Schisandraceae), e tem seus próprios preparos e cuidados, que não são os desta ficha. O sabor adocicado e anisado é parecido, e por isso as duas plantas são frequentemente confundidas no Brasil, mas misturar informações de uma com a outra pode ser perigoso, como você vai ver em "Cuidados".
Para que serve
- Alivia gases e distensão abdominal
- Ajuda na digestão pesada e no desconforto depois das refeições
- Suaviza a azia leve
- Auxilia a tosse produtiva associada ao resfriado comum
- Reduz a cólica menstrual leve
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia, indicado para queixas gastrointestinais leves e tosse do resfriado comum.
Ingredientes
- 1,0 a 3,5 g de frutos (sementes) de erva-doce, rasurados ou esmagados na hora
- 150 ml de água quente
Passo a passo
- Amasse levemente as sementes imediatamente antes do uso, para liberar os óleos essenciais.
- Aqueça a água até quase ferver.
- Despeje a água sobre as sementes numa xícara ou bule.
- Tampe e deixe em infusão.
- Coe e beba.
Dose e frequência
Adultos e a partir de 12 anos
150 ml, 3 vezes ao dia
Melhor horário: entre as refeições, para gases e digestão; ao entardecer, para tosse do resfriado.
Uso restrito a partir de 12 anos: crianças menores, gestantes e lactantes não devem usar, pela falta de dados suficientes de segurança nessas faixas (ver "Cuidados").
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia "Anis e erva-doce" (Pimpinella anisum L.), p. 157 a 159.
Combina com
Camomila
soma no alívio da cólica, tanto intestinal quanto menstrual
Hortelã
reforça o efeito digestivo, mas cuidado se houver refluxo (prefira só a erva-doce nesse caso)
Funcho
os dois são Apiaceae parecidas no efeito carminativo, mas o funcho é quem tem tradição galactagoga
Gengibre
combinação usada para tosse e desconforto digestivo junto
Cuidados
- Não é anis-estrelado: a erva-doce (Pimpinella anisum) e o anis-estrelado-comum (Illicium verum) são plantas diferentes, de famílias botânicas diferentes, apesar do sabor parecido. O anis-estrelado-comum pode ser adulterado ou confundido, inclusive na embalagem, com o anis-estrelado-japonês (Illicium anisatum), que é tóxico: há relatos de convulsões associadas a ele, principalmente em bebês. Por isso, nunca substitua a erva-doce pelo anis-estrelado, nem ofereça anis-estrelado a bebês, e desconfie de produtos vendidos como "anis" sem identificação clara da espécie. As doses e os preparos desta ficha valem só para Pimpinella anisum.
- Alergia: contraindicada para quem tem hipersensibilidade a outras espécies da família Apiaceae (como aipo, cenoura, coentro, endro) ou à substância isolada anetol.
- Crianças menores de 12 anos, gestantes e lactantes: uso não recomendado, pela ausência de dados suficientes de segurança. Em gestantes, pode ocasionar alterações hormonais. Já foi relatada toxicidade do anetol em crianças pequenas, com hipertonia, choro contínuo, movimentos oculares atípicos, espasmos, cianose e falta de apetite.
- Tempo de uso: utilizar por, no máximo, duas semanas seguidas. Se os sintomas persistirem, procure um médico.
- Reações adversas: podem ocorrer reações cutâneas, respiratórias e gastrointestinais.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Os romanos cultivavam o anis na Toscana e preparavam com ele um bolo chamado mustaceum, temperado com anis, cominho e outras ervas digestivas, servido ao final de banquetes e casamentos: uma tradição que estudiosos apontam como precursora dos bolos de casamento condimentados. Plínio, o Velho, já registrava o costume de mascar as sementes de erva-doce para deixar o hálito agradável. No Brasil, ela se tornou tradicionalmente uma das primeiras ervas oferecidas a bebês com cólica, um costume passado de geração em geração muito antes de existir qualquer estudo científico sobre segurança nessa faixa etária. Hoje, com base na Farmacopeia, a orientação é usar o chá a partir dos 12 anos (veja "Cuidados").
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia "Anis e erva-doce" (Pimpinella anisum L.), p. 157 a 159.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

