Espinheiro
Crataegus monogyna Jacq. (sumidades floridas: flor e folha, não o fruto vermelho; e espécies relacionadas: C. rhipidophylla, C. laevigata, C. pentagyna, C. nigra, C. azarolus)
Um arbusto espinhoso de flores brancas e frutinhas vermelhas, comum nas tradições celtas e europeias, onde era considerado sagrado e ligado às fadas. É um dos tônicos mais estudados da fitoterapia europeia para apoio ao coração, sempre como coadjuvante, nunca como substituto de tratamento médico.
Um esclarecimento logo de início: apesar das frutinhas vermelhas serem a parte mais visível e conhecida da planta, o uso medicinal se concentra nas sumidades floridas, ou seja, na flor e na folha colhidas juntas, não no fruto.
Esta erva atua diretamente sobre o sistema cardiovascular, por isso pede uma conversa com o médico antes de usar, especialmente para quem já tem alguma condição do coração ou usa medicamentos cardíacos (veja "Cuidados").
Para que serve
- Tônico tradicional para o coração, usado como coadjuvante em palpitação leve e apoio à pressão arterial, sempre com acompanhamento médico (ver "Como usar" e "Cuidados")
- Ajuda no alívio da ansiedade e insônia leves
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia, à base das sumidades floridas (flores e folhas).
Dose e frequência
Cápsula com droga vegetal (190 a 350 mg)
3 a 5 vezes ao dia
Cápsula com derivado (extrato seco, 250 mg)
3 a 4 vezes ao dia
Uso a partir de 12 anos, conforme a formulação. Não ultrapassar a dose diária de 6 g de droga vegetal. Recomenda-se o uso durante 4 a 6 semanas para observar o efeito.
Uso contraindicado durante a gestação e a lactação.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Crataegus monogyna e espécies relacionadas, p. 60 a 61.
Combina com
Oliveira e hibisco
somam no apoio à pressão arterial
Melissa e maracujá
reforçam o alívio de palpitação ligada à ansiedade
Cuidados
- Doença cardíaca: se você já tem alguma doença do coração, use o espinheiro apenas com acompanhamento médico. Ele pode potencializar o efeito de digitálicos (como a digoxina) e de outros medicamentos para o coração.
- Sinais de alerta: procure um médico imediatamente se sentir inchaço nas pernas, dor no peito que se espalha para o braço, abdômen superior ou pescoço, ou dificuldade para respirar.
- Anti-hipertensivos e betabloqueadores: converse com seu médico antes de usar o espinheiro se você já toma medicação para pressão ou para o coração, pelo risco de somar os efeitos.
- Gestantes e lactantes: uso contraindicado.
- Regra geral: o espinheiro não substitui nenhum tratamento cardíaco prescrito. Não ultrapasse as doses recomendadas, e em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Nas tradições celtas, o espinheiro era considerado a árvore das fadas, e acreditava-se que cortá-lo trazia má sorte, um respeito que talvez não seja coincidência: alguns exemplares vivem mais de 700 anos, e a planta segue sendo, séculos depois, um dos tônicos cardiovasculares mais estudados da fitoterapia. Uma revisão Cochrane com 14 ensaios clínicos randomizados encontrou benefício de extratos de espinheiro sobre sintomas e desfechos fisiológicos quando usado como coadjuvante ao tratamento convencional da insuficiência cardíaca crônica, mas os autores não encontraram dados suficientes sobre mortalidade e eventos cardíacos graves, por isso o espinheiro nunca substitui a medicação prescrita pelo cardiologista.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Crataegus monogyna Jacq. e espécies relacionadas, p. 60 a 61.
- Pittler, M. H.; Guo, R.; Ernst, E. Hawthorn extract for treating chronic heart failure. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2008, Issue 1, Art. No. CD005312. Disponível em: https://doi.org/10.1002/14651858.CD005312.pub2
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

