Foto de Graviola (Annona muricata)

Role para descobrir

Graviola

Annona muricata

Graviola

Annona muricata L. (folha, não a polpa do fruto)

Uma árvore tropical de fruto espinhoso por fora e polpa branca e cremosa por dentro, cultivada em quintais de todo o Brasil. As folhas têm uso tradicional como calmante, mas exigem moderação real, porque contêm uma substância que pode afetar os nervos se usada em excesso e por muito tempo.

Esta ficha é sobre a folha, não a polpa doce que todo mundo já provou. É a folha que carrega o uso tradicional calmante, e também o alerta de segurança abaixo.

Dois pontos de segurança antes de continuar. Primeiro: as folhas e as sementes da graviola contêm anonacina, uma substância neurotóxica, e o uso frequente e prolongado das folhas já foi associado a um tipo atípico de parkinsonismo em populações que consomem a planta de forma intensa e contínua. Por isso, esta ficha trata a graviola como uso ocasional e moderado, nunca diário e nunca por longos períodos. Segundo: apesar de circularem alegações populares sobre a graviola e câncer, não existem evidências clínicas em humanos que comprovem esse efeito, e ela nunca deve substituir ou atrasar um tratamento oncológico prescrito por um médico.

Para que serve

insôniaansiedadeinfecção fúngicadiabetes

Como usar

Ingredientes

  • 2 a 3 folhas secas de graviola (nunca as sementes, que são tóxicas e não devem ser usadas)
  • 300 ml de água quente

Passo a passo

  1. Aqueça a água até quase ferver.
  2. Coloque as folhas numa xícara ou bule.
  3. Despeje a água quente por cima.
  4. Tampe e deixe em infusão por 10 minutos.
  5. Coe e beba.

Frequência: no máximo 1 a 2 xícaras ao dia, e apenas de forma ocasional, não continuamente. Evite usar todos os dias por semanas seguidas.

Fonte: uso tradicional (sabedoria popular), sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed.

Combina com

Maracujá e camomila

somam no efeito para uma noite de sono ocasionalmente difícil

Cuidados

  • Uso prolongado e frequente: evite. A anonacina presente nas folhas e sementes já foi associada, em uso crônico, a um tipo atípico de parkinsonismo. Use apenas de forma ocasional, com pausas longas entre os períodos de uso.
  • Sementes: nunca utilize. São tóxicas e não fazem parte de nenhum preparo desta ficha.
  • Gestantes e lactantes: uso contraindicado. A planta é tradicionalmente associada a efeito estimulante sobre o útero.
  • Hipotensão: a graviola pode reduzir a pressão arterial. Tenha cautela se você já tem pressão baixa ou usa medicamentos anti-hipertensivos.
  • Diabetes: monitore a glicemia com atenção se você usa medicação para diabetes.
  • Tratamento oncológico: a graviola não tem eficácia comprovada contra o câncer em humanos. Nunca abandone, substitua ou atrase um tratamento oncológico prescrito por conta de alegações não comprovadas sobre esta planta.
  • Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.

Você sabia?

Na medicina popular nordestina, o chá das folhas de graviola é conhecido havia gerações como chá do sono, um uso tradicional que estudos sobre a ação sedativa das folhas ajudam a explicar, mas que não deve ser confundido com as alegações mais recentes e não comprovadas sobre a planta e o câncer, um debate que ganhou força nas redes sociais sem respaldo em estudos clínicos com humanos. O alerta sobre o uso frequente também não é exagero: um estudo caso-controle publicado na revista Lancet em 1999, nas Antilhas Francesas, encontrou associação entre o consumo regular de graviola (fruta e chá das folhas) e um tipo atípico de parkinsonismo, ligado à anonacina, substância que interfere na respiração das células nervosas.

Referências

  • Caparros-Lefebvre, D.; Elbaz, A. Possible relation of atypical parkinsonism in the French West Indies with consumption of tropical plants: a case-control study. The Lancet, v. 354, n. 9175, p. 281-286, 1999.
  • Campos, L. M.; Lemos, A. S. O.; Diniz, I. O. M.; Carvalho, L. A.; Silva, T. P.; Dib, P. R. B.; Hottz, E. D.; Chedier, L. M.; Melo, R. C. N.; Fabri, R. L. Antifungal Annona muricata L. (soursop) extract targets the cell envelope of multi-drug resistant Candida albicans. Journal of Ethnopharmacology, v. 301, artigo 115856, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jep.2022.115856

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

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