Guaçatonga
Casearia sylvestris Sw. (folhas)
Uma árvore brasileira de folhas parecidas com uma língua de lagarto, o que inspirou seu nome tupi, usada pelos povos indígenas do Brasil Central para dores de estômago e como cicatrizante de feridas. É uma das ervas nativas mais estudadas para o cuidado da mucosa gástrica.
A parte usada é a folha, seca e depois preparada por infusão para o uso interno oficial, ou aplicada de forma concentrada para o uso externo tradicional na pele.
Para que serve
- Ajuda no alívio de sintomas dispépticos, como digestão pesada e desconforto gástrico
- Uso tradicional em gastrite, como apoio, sempre acompanhado de avaliação médica
- Uso tradicional em pele inflamada e pequenas feridas (uso externo, sabedoria popular)
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia.
Ingredientes
- 0,4 a 2 g de folhas secas de guaçatonga
- 150 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque as folhas numa xícara ou bule.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão.
- Coe e beba.
Dose e frequência
Adultos
150 ml, de 2 a 3 vezes ao dia, antes das principais refeições
Uso restrito a adultos. Contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 18 anos.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Casearia sylvestris Sw., p. 53 a 54.
Combina com
Espinheira-santa e babosa
somam no cuidado com a gastrite
Alcaçuz e camomila
reforçam o apoio à mucosa digestiva
Bardana e dente-de-leão
combinação tradicional depurativa
Cuidados
- Anticoagulantes: por ser antagonista de vitamina K, o uso prolongado pode potencializar o efeito de anticoagulantes e causar sangramento, dificultando o controle da dosagem desses medicamentos. Tenha cautela redobrada se você usa varfarina ou similares.
- Gestantes, lactantes e menores de 18 anos: uso contraindicado, pela falta de dados adequados de segurança.
- Úlcera com sangramento ativo: não use sem acompanhamento médico direto.
- Tempo de uso: se os sintomas persistirem, procure um médico. Prefira ciclos de uso com pausas, em vez de uso contínuo por muitas semanas seguidas.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Tropeiros brasileiros do século 18, que cruzavam o país em jornadas de meses a cavalo, carregavam guaçatonga para tratar as gastrites e o desconforto digestivo causado pela alimentação irregular das estradas, um uso prático que sobreviveu no interior do Brasil muito antes de a planta virar objeto de estudo científico sobre a mucosa gástrica.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Casearia sylvestris Sw., p. 53 a 54.
- Ministério da Saúde. Tabela ReniSUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus/tabela-renisus.. Acesso em 2026. Lista a guaçatonga (Casearia sylvestris) entre as 71 espécies de interesse do SUS.
- DE CAMPOS, E. P.; TROMBINI, L. N.; RODRIGUES, R. et al. Healing activity of Casearia sylvestris Sw. in second-degree scald burns in rodents. BMC Research Notes, v. 8, p. 269, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s13104-015-1251-4.. Estudo pré-clínico em ratos com extrato hidroalcoólico das folhas, aplicado topicamente.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

