Guaco
Mikania glomerata Spreng. (folhas)
Uma trepadeira da Mata Atlântica e do Cerrado, de folhas usadas havia gerações pelos povos indígenas antes da chegada dos colonizadores. É genuinamente brasileira e um dos poucos remédios caseiros com registro oficial da ANVISA como fitoterápico, reconhecida para tosse, bronquite e sintomas respiratórios do resfriado.
A parte usada é a folha, seca e rasurada antes do preparo, seja para o chá, seja para a tintura.
Para que serve
- Alívio sintomático de afecções produtivas das vias aéreas superiores, como tosse e catarro
- Ajuda em bronquite leve a moderada
- Auxilia em gripe e resfriado com comprometimento respiratório
- Alivia a garganta irritada
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia, para alívio sintomático de afecções respiratórias produtivas.
Ingredientes
- 2 a 3 g de folhas secas de guaco
- 150 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque as folhas numa xícara ou bule.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão ou prepare por decocção.
- Coe e beba logo após o preparo.
Dose e frequência
Adultos
150 ml, 3 vezes ao dia, por no máximo 15 dias seguidos
Melhor horário: logo após o preparo, especialmente ao surgir a tosse.
Uso contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 18 anos, pela falta de dados de segurança.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Mikania glomerata Spreng., p. 131 a 133.
Combina com
Gengibre e mel
reforçam o alívio de tosse e garganta irritada
Alcaçuz
soma no efeito expectorante
Malva
combinação tradicional para vias respiratórias
Cuidados
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): não utilizar em caso de tratamento com esses medicamentos.
- Anticoagulantes: não usar simultaneamente, pois as cumarinas presentes no guaco podem potencializar o efeito anticoagulante e antagonizar a vitamina K.
- Antibióticos: evitar o uso concomitante, pelo potencial de interação clínica.
- Gestantes, lactantes e menores de 18 anos: uso contraindicado, pela falta de dados de segurança.
- Doses elevadas ou uso prolongado: podem provocar vômito, diarreia e taquicardia.
- Tempo de uso: não usar por mais de 15 dias consecutivos; o tratamento pode ser repetido, se necessário, após intervalo de 5 dias.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
O nome guaco vem do tupi e está ligado a uma lenda indígena: pássaros chamados "guaco" comiam as folhas desta planta e ficavam imunes ao veneno de serpentes. A cumarina, seu principal composto ativo, tem ação broncodilatadora e expectorante bem documentada, confirmando cientificamente o que gerações de caboclos já sabiam sobre o xarope caseiro.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Mikania glomerata Spreng., p. 131 a 134.
- MOURA, R. S.; COSTA, S. S.; JANSEN, J. M. et al. Bronchodilator activity of Mikania glomerata Sprengel on human bronchi and guinea-pig trachea. Journal of Pharmacy and Pharmacology, v. 54, n. 2, p. 249 a 256, 2002. Ensaio farmacológico ex vivo (brônquios humanos e traqueia de cobaia), citado na monografia oficial do Formulário.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

