Hortelã
Mentha spicata L. (sin. Mentha viridis L.) (folhas)
Uma erva rasteira de folhas serrilhadas e cheiro fresco que explode ao simples toque dos dedos, originária da bacia do Mediterrâneo e da Ásia ocidental. Chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e se espalhou tão bem que hoje quase parece nativa, presente em quintais, feiras e na xícara de chá depois do almoço.
É a hortelã que a maioria das famílias brasileiras conhece, a do suco, do tabule e do molho verde, diferente da hortelã-pimenta (*Mentha x piperita*), prima mais mentolada e mais estudada cientificamente. As duas se parecem no cheiro e no uso popular, mas são espécies diferentes, e é bom saber qual delas você tem na horta antes de preparar o chá.
A parte usada é a folha, fresca ou seca, colhida antes da planta florescer para preservar melhor o óleo essencial.
Para que serve
- Alivia gases e a sensação de estômago pesado depois das refeições (sabedoria popular)
- Ajuda com náuseas leves, de viagem, enjoo passageiro ou digestão difícil (sabedoria popular)
- Refresca a cabeça em dores de tensão e naquela sensação de cabeça cheia (sabedoria popular)
- Descongestiona o nariz entupido, sozinha ou em inalação (sabedoria popular)
- Melhora a digestão lenta e a distensão abdominal (sabedoria popular)
- Refresca o hálito de forma natural (sabedoria popular)
Como usar
O preparo tradicional para digestão, náusea e dor de cabeça.
Ingredientes
- 1 colher de sopa de folhas frescas de hortelã (ou 1 colher de chá de folhas secas)
- 200 ml de água quente (retire do fogo assim que começar a borbulhar)
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque as folhas numa xícara.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe: o mentol e os óleos voláteis, parte do efeito da planta, evaporam com o vapor se ficar destampado.
- Deixe em infusão por 5 minutos.
- Coe e beba.
Dose e frequência
Adultos e a partir de 12 anos
2 a 3 xícaras ao dia
Crianças acima de 2 anos
1 xícara pequena, conforme orientação pediátrica
Melhor horário: após as refeições, para digestão; ao sentir a tensão na cabeça, para dor de cabeça.
Fonte: sem monografia de Mentha spicata no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Preparo baseado em prática tradicional e uso popular conservador. A Farmacopeia traz monografia de Mentha x piperita L. (folha, p. 128), espécie próxima mas diferente, usada aqui apenas como referência geral de segurança da família Lamiaceae, não como base da dose.
Combina com
Erva-doce
reforça o alívio de gases e cólica intestinal
Camomila
soma no conforto digestivo depois das refeições
Alecrim
potencializa o foco e a clareza mental
Gengibre
aumenta o efeito contra náusea e enjoo
Capim-limão
combinação refrescante para o calor, sem perder o efeito calmante leve
Cuidados
- Bebês menores de 2 anos: nunca aplique óleo essencial ou chá forte perto do rosto de bebês. O mentol pode causar dificuldade respiratória. Consulte o pediatra.
- Refluxo e hérnia de hiato: a hortelã relaxa o esfíncter esofágico e pode piorar o refluxo em quem tem esse problema. Nesses casos, prefira a erva-doce.
- Gestantes: o chá em quantidade moderada tem uso tradicional consolidado, mas não há dados oficiais suficientes para garantir segurança em todos os trimestres. Use com moderação, evite grandes quantidades e qualquer óleo essencial concentrado, e converse com seu médico antes de manter o uso regular.
- Cálculos biliares: o mentol pode estimular contrações da vesícula. Quem tem cálculos biliares deve usar com cautela e orientação médica.
- Óleo essencial: nunca deve ser aplicado diretamente na pele sem diluição, nem ingerido.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Se os sintomas persistirem ou piorarem, procure orientação médica.
Você sabia?
O nome "menta" vem de Mentha, ninfa da mitologia grega que, segundo a lenda, foi transformada em planta por ciúme da deusa Perséfone. Os gregos usavam a hortelã para perfumar templos e locais de encontro, e os romanos a levaram por todo o Império, entre as ervas dos banhos e os unguentos para dor de cabeça. No Brasil, criou raízes tão fundas que hoje é difícil encontrar quintal sem um pé dela.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Mentha x piperita L. (folha), p. 128, espécie próxima usada aqui como referência geral de segurança da família Lamiaceae.
- MAHENDRAN, G.; VERMA, S. K.; RAHMAN, L. U. The traditional uses, phytochemistry and pharmacology of spearmint (Mentha spicata L.): A review. Journal of Ethnopharmacology, v. 278, artigo 114266, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jep.2021.114266.. Revisão de uso tradicional, fitoquímica e farmacologia da espécie.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

