Jurubeba
Solanum paniculatum L. (frutos e raiz)
Um arbusto brasileiro de frutos pequenos e amargos, parente do tomate e da berinjela, famoso no interior do país como o remédio caseiro para a digestão pesada depois de excessos alimentares ou de bebida. É amarga por natureza, e é justamente esse amargor que estimula o fígado.
As partes usadas são o fruto (verde, seco) e a raiz. Um estudo em animais usando extrato da raiz encontrou inibição da secreção ácida do estômago, dando algum respaldo científico ao uso tradicional na digestão pesada (ver "Referências").
Não foi localizada monografia de Solanum paniculatum no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Os preparos abaixo seguem medida caseira de uso tradicional.
Para que serve
- Uso tradicional para fígado sobrecarregado (sabedoria popular)
- Apoio tradicional na digestão pesada, depois de excesso alimentar ou de álcool; a raiz já foi estudada em modelo animal com efeito inibidor da secreção ácida gástrica (ver "Referências")
- Uso tradicional em quadros de baço aumentado (sabedoria popular)
Como usar
Ingredientes
- 1 colher de chá de frutos verdes secos de jurubeba
- 200 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque os frutos numa xícara.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão por 10 minutos.
- Coe e beba, antes das refeições.
Frequência: 1 a 2 xícaras ao dia, em ciclos de 3 a 4 semanas, com pausa entre eles.
Fonte: uso tradicional (medida caseira, sabedoria popular), sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed.
Combina com
Carqueja e alcachofra
somam no apoio ao fígado e à digestão
Boldo e losna
reforçam o alívio depois de excessos
Dente-de-leão e cúrcuma
combinação tradicional para baço e fígado
Cuidados
- Gestantes: uso contraindicado. A jurubeba pertence à família Solanaceae e é tradicionalmente associada a efeito sobre o útero.
- Uso prolongado: use em ciclos de 3 a 4 semanas, com pausas, em vez de uso contínuo por muito tempo, pela presença de alcaloides que em excesso podem ser problemáticos.
- Doenças hepáticas graves: em hepatite aguda ou cirrose avançada, consulte um médico antes de usar.
- Regra geral: não ultrapasse as quantidades recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Em cidades do interior brasileiro, é comum ver garrafas de jurubeba macerada guardadas atrás do balcão de bares, oferecidas de manhã como uma espécie de tônico para quem exagerou na noite anterior, um costume tão enraizado que "tomar uma jurubeba" virou expressão popular para lidar com os efeitos do excesso.
Referências
- Ministério da Saúde. Tabela ReniSUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus/tabela-renisus.. Acesso em 2026. Lista a jurubeba (Solanum paniculatum) entre as 71 espécies de interesse do SUS.
- MESIA-VELA, S.; SANTOS, M. T.; SOUCCAR, C.; LIMA-LANDMAN, M. T.; LAPA, A. J. Solanum paniculatum L. (Jurubeba): Potent inhibitor of gastric acid secretion in mice. Phytomedicine, v. 9, n. 6, p. 508 a 514, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1078/09447110260573137.. Estudo pré-clínico em camundongos com extrato da raiz.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

