Foto de Mastruz (Dysphania ambrosioides)

Role para descobrir

Mastruz

Dysphania ambrosioides

Mastruz

Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin & Clemants (sin. Chenopodium ambrosioides L.) (folhas)

Uma erva de cheiro forte e característico, muito comum em quintais do Nordeste brasileiro, também chamada de erva-de-santa-maria. É tratada com respeito quase sagrado pelas raizeiras do sertão, mas exige cuidado real: sua composição inclui o ascaridol, substância eficaz em pequena quantidade e tóxica em excesso.

Aqui usamos a folha fresca, a parte mais colhida no quintal. Toda a planta, caule e sementes incluídos, tem esse cheiro forte de ascaridol, mas é a folha que vai para o chá e para a compressa desta ficha.

Por isso, este é um dos casos em que menos é mais: o uso interno deve ser em dose baixa e por pouquíssimo tempo, nunca contínuo. Não foi localizada monografia de Dysphania ambrosioides no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., nem registro da espécie na lista RENISUS (as 71 plantas de interesse do SUS). Os preparos abaixo seguem medida caseira de uso tradicional, sempre no lado mais conservador.

Para que serve

tosseparasitas intestinaiscicatrização lenta

Como usar

Ingredientes

  • 2 a 3 folhas frescas de mastruz (bem menos que outras ervas desta lista)
  • 200 ml de água quente

Passo a passo

  1. Aqueça a água até quase ferver.
  2. Coloque as folhas numa xícara.
  3. Despeje a água quente por cima.
  4. Tampe e deixe em infusão por 5 minutos.
  5. Coe e beba.

Frequência: no máximo 1 xícara ao dia, por até 3 dias seguidos, com uma pausa de pelo menos 10 dias antes de repetir. Não use continuamente.

Fonte: uso tradicional (medida caseira, sabedoria popular), sem monografia localizada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Para uso antiparasitário específico, a dose deve ser orientada por um profissional de saúde, dado o risco de toxicidade do ascaridol em quantidade inadequada.

Combina com

Guaco e mel

reforçam o conforto respiratório (sabedoria popular)

Tomilho e gengibre

somam no efeito expectorante tradicional (sabedoria popular)

Cuidados

  • Gestantes: uso interno completamente contraindicado durante toda a gravidez. O ascaridol tem efeito abortivo documentado, associado a contrações uterinas.
  • Lactantes: evite o uso interno durante a amamentação.
  • Crianças pequenas: use com muita cautela, em doses bem menores, e sempre com orientação de um pediatra. Não use por conta própria em crianças.
  • Óleo essencial de mastruz: nunca use por via oral. É a forma mais concentrada de ascaridol e a mais associada a intoxicação grave; o risco existe mesmo em poucas gotas.
  • Doses excessivas: o ascaridol é tóxico em quantidades altas, podendo causar tontura, náusea e sintomas neurológicos mais sérios. Nunca aumente a dose ou o tempo de uso na esperança de um efeito mais forte.
  • Doenças hepáticas e renais: evite o uso interno; um estudo toxicológico recente observou alteração de marcadores hepáticos e renais em doses altas e prolongadas do extrato da planta em modelo animal.
  • Regra geral: não ultrapasse as quantidades e o tempo recomendados. Em caso de qualquer sintoma incomum, suspenda o uso imediatamente e procure orientação médica.

Você sabia?

No México, onde a mesma planta é chamada de epazote, ela é ingrediente tradicional em pratos com feijão, não só pelo sabor, mas porque ajuda a reduzir os gases que o feijão costuma causar, um uso culinário e medicinal que atravessou o oceano e criou raízes profundas no sertão nordestino, onde o mastruz do quintal é tratado como remédio de primeira necessidade. Um estudo toxicológico de 2022 encontrou dose letal alta em modelo animal, mas também confirmou alteração de enzimas do fígado e sinais de irritação renal em doses elevadas e uso prolongado, o que reforça por que a dose baixa e o tempo curto de uso não são exagero de cautela, e sim a forma correta de aproveitar a planta com segurança.

Referências

  • Kandsi F, Lafdil FZ, Elbouzidi A, Bouknana S, Miry A, Addi M, Conte R, Hano C, Gseyra N. Evaluation of Acute and Subacute Toxicity and LC-MS/MS Compositional Alkaloid Determination of the Hydroethanolic Extract of Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin and Clemants Flowers. Toxins (Basel), 2022;14(7):475. Disponível em: https://doi.org/10.3390/toxins14070475

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

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