Foto de Mulungu (Erythrina mulungu)

Role para descobrir

Mulungu

Erythrina mulungu

Mulungu

Erythrina mulungu Benth. (sin. Erythrina verna Vell.) (casca do caule)

A árvore do coral, que floresce em vermelho intenso nas margens de rios do Nordeste e do Centro-Oeste brasileiro, sem uma folha sequer. Os índios tupi usavam sua casca como sedativo para dores intensas e crises de agitação, um conhecimento tão antigo quanto bem documentado na medicina popular brasileira.

Aqui usamos a casca do caule, retirada e seca, nunca a folha ou a flor vermelha que dá nome à árvore. É uma erva calmante de efeito mais intenso, por isso pede mais atenção do que a camomila ou o maracujá, sobretudo em quem já usa outros calmantes ou remédios para pressão.

O mulungu está entre as 71 espécies da lista RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS), com efeito ansiolítico e antidepressivo já estudado em modelo animal.

Para que serve

ansiedadeinsôniapânicotensão muscularpalpitaçãoestresse crônico

Como usar

O preparo oficial da Farmacopeia.

Ingredientes

  • 0,5 g de casca do caule de mulungu, rasurada
  • 150 ml de água

Passo a passo

  1. Prepare por decocção, considerando a proporção indicada.
  2. Coe e beba.

Dose e frequência

Adultos

150 ml, 3 vezes ao dia, por até 30 dias seguidos

Melhor horário: ao longo do dia, conforme a necessidade; à noite, para o sono.

Uso restrito a adultos. Contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 18 anos.

Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Erythrina mulungu Benth., p. 80 a 82.

Combina com

Camomila e maracujá

podem ser usadas em dias diferentes, mas evite somar várias ervas sedativas na mesma dose sem orientação (sabedoria popular)

Anti-hipertensivos

o mulungu tem efeito tradicionalmente associado à redução da pressão; quem já usa medicação para pressão deve conversar com o médico antes de combinar

Outros sedativos ou álcool

não combine sem orientação médica, pelo risco de somar o efeito sobre o sistema nervoso central

O mulungu é um sedativo mais intenso, por isso esta ficha recomenda cautela redobrada ao combinar com outras ervas ou medicamentos. Também existem formas de tintura e cápsula de mulungu vendidas comercialmente. Esta ficha não recomenda quantidade para elas, porque não existe dose oficial brasileira publicada para essas formas; siga sempre a orientação da embalagem ou de um profissional de saúde.

Cuidados

  • Gestantes, lactantes e menores de 18 anos: uso contraindicado, pela falta de dados de segurança.
  • Insuficiência cardíaca e arritmia: não deve ser utilizado por pessoas com essas condições.
  • Sedativos e álcool: evite combinar sem orientação médica, pelo risco de potencializar o efeito sobre o sistema nervoso central.
  • Pressão arterial: por seu efeito tradicionalmente hipotensor, quem já tem pressão baixa ou usa medicação para pressão deve ter atenção redobrada.
  • Tempo de uso: o uso contínuo não deve ultrapassar 30 dias, podendo-se repetir o tratamento, se necessário, após intervalo de 7 dias.
  • Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.

Você sabia?

A casca do mulungu contém alcaloides como a eritrina, com ação no sistema nervoso central que lembra a dos benzodiazepínicos, mas sem gerar a mesma dependência química, o que explica por que a planta foi chamada, por décadas, de remédio da raizeira para quem estava em crise de ansiedade. O efeito calmante já foi testado em laboratório: pesquisadores brasileiros observaram redução de comportamento ansioso em ratos tratados com extrato da casca de Erythrina mulungu, um dos estudos que sustentam o uso da planta na lista RENISUS do Ministério da Saúde.

Referências

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

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