Foto de Pau-d'arco (Handroanthus impetiginosus)

Role para descobrir

Pau-d'arco

Handroanthus impetiginosus

Pau-d'arco

Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos (sin. Tabebuia impetiginosa) (entrecasca)

A árvore do ipê-roxo, que floresce em roxo intenso pelo cerrado e pela caatinga brasileiros em agosto e setembro, sem uma folha sequer. O nome pau-d'arco vem da dureza da madeira, usada pelos povos indígenas para fazer arcos de flecha. A casca interna, a entrecasca, é uma das plantas mais tradicionais da medicina popular brasileira contra fungos e infecções.

Aqui usamos a entrecasca, ou seja, a camada que fica entre a casca externa e a madeira, nunca a folha nem a flor roxa que dá o nome popular à árvore.

Um ponto importante desta ficha: não foi localizado o texto integral da monografia de Handroanthus impetiginosus no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. A planta aparece apenas listada como incluída por suplemento posterior (na forma de tintura), sem o corpo completo da monografia disponível. A lista RENISUS traz uma espécie de ipê-roxo sob o nome Tabebuia avellanedae, tratada por parte da literatura como sinônimo de Handroanthus impetiginosus, embora a taxonomia desse grupo ainda gere debate entre autores. Por isso, as quantidades abaixo seguem medida caseira de uso tradicional, não uma dose padronizada oficial.

Para que serve

candidíaseinfecção fúngicaimunidade baixaflora intestinal desequilibrada

Como usar

Ingredientes

  • 2 colheres de sopa de entrecasca seca de pau-d'arco
  • Água

Passo a passo

  1. Ferva a casca na água por 10 a 15 minutos.
  2. Coe e beba morno.

Dose e frequência

Adultos

2 a 3 xícaras ao dia, sempre com orientação profissional

Melhor horário: conforme orientação profissional.

Uso não recomendado para crianças, gestantes e lactantes, pela falta de dados de segurança e pelo risco de toxicidade em doses altas (ver "Cuidados").

Fonte: preparo de uso tradicional (sabedoria popular), sem monografia específica na Farmacopeia Brasileira para esta forma; a planta consta apenas na lista de novas formas farmacêuticas incluídas por suplemento posterior.

Combina com

Orégano

reforça o cuidado tradicional com candidíase (sabedoria popular)

Alho

soma no apoio à imunidade (sabedoria popular)

Cuidados

  • Anticoagulantes: o pau-d'arco contém lapachol, composto que pode potencializar o efeito de anticoagulantes. Não combine sem orientação médica.
  • Guaco: a monografia oficial de guaco (Mikania glomerata) no Formulário de Fitoterápicos alerta que as saponinas do guaco aumentam a absorção do lapachol, o princípio ativo do pau-d'arco; evite combinar as duas plantas sem orientação profissional.
  • Doses altas: podem causar toxicidade gastrointestinal, com náusea, vômito e diarreia. Respeite sempre a orientação de um profissional quanto à quantidade.
  • Gestantes e lactantes: uso contraindicado, pela falta de dados de segurança.
  • Sangramentos: por interferir na coagulação, use com cautela se você tem histórico de sangramentos ou vai passar por procedimento cirúrgico ou odontológico, e avise o profissional que for te atender.
  • Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas por um profissional. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.

Você sabia?

A partir da década de 1950, pesquisadores brasileiros do Instituto de Antibióticos do Recife começaram a estudar o lapachol, um dos principais compostos ativos do pau-d'arco, o que gerou décadas de estudo sobre suas propriedades. Hoje a planta é exportada para farmácias naturais do mundo inteiro, vendida como "lapacho" na Europa e "taheebo" no Japão, uma das expressões mais conhecidas do conhecimento indígena brasileiro fora do país. Em laboratório, a beta-lapachona já mostrou capacidade de reduzir a formação de biofilme da Candida albicans em até 84%, um indício científico do porquê a entrecasca virou remédio de primeira escolha para candidíase na medicina popular brasileira.

Referências

  • Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Mikania glomerata Spreng. [guaco], p. 131 a 132 (menção à interação com o lapachol de Handroanthus impetiginosus); listagem de Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos entre as formas farmacêuticas incluídas por suplemento posterior (tintura).
  • RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS), Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus/tabela-renisus.. Acesso em 2026 (espécie listada como "Tabebuia avellanedae").
  • Moraes DC, Curvelo JAR, Anjos CA, Moura KCG, Pinto MCFR, Portela MB, Soares RMA. β-lapachone and α-nor-lapachone modulate Candida albicans viability and virulence factors. Journal de Mycologie Médicale, 2018;28(2):314-319. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.mycmed.2018.03.004

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

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