Picão-preto
Bidens pilosa L. (parte aérea)
Uma planta de sementes com pequenos ganchos que grudam na roupa, comum em terrenos baldios e beiras de estrada em quase todo o mundo tropical. Apesar de tratada como praga, é uma das plantas mais usadas na medicina popular brasileira para o fígado e para febre.
Aqui usamos a parte aérea, ou seja, o caule, as folhas e as flores colhidos juntos, como manda a monografia oficial da Farmacopeia Brasileira para esta espécie. O picão-preto também está entre as 71 espécies da lista RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS).
Para que serve
- Auxilia no tratamento sintomático da icterícia, desde que situações graves já tenham sido descartadas por um médico
- Uso tradicional para febre (sabedoria popular)
- Uso tradicional em inflamações de garganta, em gargarejo (sabedoria popular)
- Uso tradicional em feridas (uso externo, sabedoria popular)
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia.
Ingredientes
- 0,4 a 2 g de partes aéreas de picão-preto
- 150 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque a erva numa xícara ou bule.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão por 5 minutos.
- Coe e beba.
Dose e frequência
Adultos e a partir de 12 anos
150 ml, de 2 a 4 vezes ao dia
Uso contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 18 anos. Não usar por mais de 15 dias seguidos.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Bidens pilosa L., p. 48 a 49.
Combina com
Pitanga e capim-limão
somam no conforto tradicional em febre (sabedoria popular)
Própolis e mel
reforçam o cuidado com a garganta (sabedoria popular)
Cúrcuma e gengibre
combinação tradicional anti-inflamatória (sabedoria popular)
Cuidados
- Alergia: contraindicado para quem tem hipersensibilidade a plantas da família Asteraceae.
- Gestantes, lactantes e menores de 18 anos: uso contraindicado. A planta é tradicionalmente associada a efeito ocitócico, por isso não é recomendada na gestação.
- Anticoagulantes: pela presença de cumarinas, evite associar com anticoagulantes.
- Diabetes: pode causar hipoglicemia em quem usa hipoglicemiantes orais.
- Pressão arterial: pode causar hipotensão arterial em hipertensos que já usam anti-hipertensivos.
- Doses altas: podem provocar irritação da bexiga e das vias urinárias.
- Tempo de uso: não ultrapassar 15 dias.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
O picão-preto se espalhou por praticamente todos os países tropicais e subtropicais do mundo, grudado nas roupas e no pelo dos animais, e em cada lugar onde chegou, populações locais diferentes descobriram, de forma independente, usos parecidos para febre e inflamação, uma coincidência que mostra como certas plantas parecem ensinar a mesma lição em qualquer canto do planeta. Essa fama global virou objeto de ciência: uma revisão publicada em 2025 reuniu 50 estudos sobre a planta e confirmou ação antioxidante e anti-inflamatória consistente em modelos de laboratório e animais, décadas depois de raizeiras espalhadas pelo mundo já recomendarem o chá para o mesmo fim.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Bidens pilosa L., p. 48 a 49.
- RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS), Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus/tabela-renisus.. Acesso em 2026.
- Etukudo EM, Usman IM, Oviosun A, et al. Exploring the phytochemical profile, antioxidant and anti-inflammatory potential of Bidens pilosa: a systematic review. Frontiers in Pharmacology, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fphar.2025.1569527
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

