Sálvia
Salvia officinalis L. (folhas)
Um arbusto de folhas prateadas e aveludadas, cheiro resinoso e sabor forte, nativo da região mediterrânea. Seu nome vem do latim salvare, salvar, curar, e a medicina medieval europeia a considerava uma das plantas mais completas da farmácia do jardim. No Brasil, se firmou mais na cozinha, sobretudo na culinária italiana, do que nos quintais medicinais.
A parte usada em todos os preparos desta ficha é a folha, seca e rasurada.
Para que serve
- Ajuda no alívio de sintomas dispépticos leves, como azia e sensação de plenitude gástrica
- Auxilia os sintomas da hiperidrose, a transpiração excessiva
- Ajuda no tratamento de inflamações cutâneas leves e inflamações da cavidade oral e orofaringe
- Auxilia sintomas da menopausa relacionados a fogachos e transpiração (uso tradicional, ver "Cuidados")
- Estudos preliminares associam a sálvia a um apoio à memória e à atenção (uso científico, ensaios clínicos pequenos, não é indicação oficial da Farmacopeia)
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia, indicado para sintomas dispépticos leves e hiperidrose. A quantidade de folha e a frequência mudam conforme o sintoma.
Ingredientes
- 1 a 2 g de folhas secas e rasuradas de sálvia
- 150 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque as folhas numa xícara ou bule.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
- Coe e beba.
Dose e frequência
Sintomas dispépticos (azia, plenitude gástrica)
1 a 2 g por xícara
3 vezes ao dia
Hiperidrose (transpiração excessiva)
2 g por xícara
2 vezes ao dia
Melhor horário: entre as refeições, para digestão.
Uso restrito a adultos. Se não houver melhora dos sintomas dispépticos em até duas semanas, ou da hiperidrose em até seis semanas, procure um médico.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Salvia officinalis L., p. 176 a 179.
Combina com
Alecrim
reforça o cuidado com a memória
Hortelã
soma no conforto digestivo
Erva-cidreira
combinação usada tradicionalmente para o equilíbrio hormonal na menopausa
Cuidados
- Gestantes, lactantes e menores de 18 anos: uso contraindicado. O uso dessa espécie pode aumentar o risco de má formação fetal ou no neonato.
- Lactação: evite o uso, pois a sálvia diminui substancialmente a produção de leite (por isso é usada tradicionalmente no desmame, sempre com orientação profissional).
- Epilepsia, insuficiência renal e neoplasias estrógeno-dependentes: uso contraindicado.
- Tujona: por seu caráter neurotóxico, a exposição diária deve ser inferior a 6 mg. Prefira, sempre que souber a origem da planta, quimiotipos com menor concentração de tujona. Doses acima de 15 g de folhas (em óleo) já foram associadas a hipertermia, taquicardia, vertigem e convulsões.
- Doses acima das recomendadas: podem causar vômitos, salivação excessiva, anemia e crises convulsivas, com risco de sufocamento pela língua. Em uso prolongado ou em doses elevadas, pode provocar queilite angular (rachadura no canto da boca) ou estomatite.
- Uso tópico: pode causar irritação cutânea e reações alérgicas.
- Sais de ferro: não use associada a suplementos de ferro.
- Diabéticos: quem usa hipoglicemiantes orais ou insulina deve ser monitorado com cuidado, pelo maior risco de hipoglicemia.
- Sedativos: pode potencializar o efeito sedativo de barbitúricos e diazepínicos.
- Uso prolongado: contraindicado.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Uma frase da medicina medieval latina perguntava: "por que morreria um homem em cujo jardim cresce sálvia?", um retrato do prestígio que a planta carregou por séculos como remédio para quase tudo. Os romanos a colhiam em rituais, sem usar ferramentas de ferro, para não macular o que consideravam uma planta sagrada, e é curioso que a ciência moderna também recomende não associar a sálvia a sais de ferro. Um pequeno ensaio clínico iraniano, publicado em 2003, testou extrato de sálvia em pessoas com Alzheimer leve a moderado por quatro meses e observou melhora cognitiva frente ao placebo (uso científico, estudo pequeno, não é indicação oficial da Farmacopeia para essa finalidade).
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Salvia officinalis L., p. 176 a 179.
- AKHONDZADEH, S.; NOROOZIAN, M.; MOHAMMADI, M.; OHADINIA, S.; JAMSHIDI, A. H.; KHANI, M. Salvia officinalis extract in the treatment of patients with mild to moderate Alzheimer's disease: a double blind, randomized and placebo-controlled trial. Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics, v. 28, p. 53-59, 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1046/j.1365-2710.2003.00463.x..
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

