Valeriana
Valeriana officinalis L. (raiz)
Uma planta de raiz de cheiro forte e terroso, quase almiscarado, nativa da Europa e de partes da Ásia, usada desde a Grécia antiga: Hipócrates a descreveu e Galeno a prescrevia para insônia e tremores nervosos. O nome vem do latim valere, ser forte, ter saúde, e hoje é um dos fitoterápicos mais estudados do mundo para sono e ansiedade.
A parte usada é a raiz, seca e rasurada. É uma das ervas calmantes mais intensas da fitoterapia, por isso pede mais atenção às interações do que a camomila ou o maracujá. Leia "Cuidados" com calma antes de usar, especialmente se você toma outros medicamentos.
Para que serve
- Auxilia como sedativo leve para o dia a dia
- Ajuda na indução do sono, quando dormir demora a acontecer
- Alivia a tensão muscular ligada ao estresse
Como usar
O preparo oficial da Farmacopeia. O efeito desta erva tem início gradual: o efeito terapêutico esperado só é obtido com uso continuado por 2 a 4 semanas, não é um chá para efeito imediato.
Ingredientes
- 0,3 a 3 g de raiz seca e rasurada de valeriana
- 150 ml de água quente
Passo a passo
- Aqueça a água até quase ferver.
- Coloque a raiz numa xícara ou bule.
- Despeje a água quente por cima.
- Tampe e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
- Coe e beba.
Dose e frequência
Adultos e a partir de 12 anos
Sedativo leve
150 ml, até 3 vezes ao dia
Adultos e a partir de 12 anos
Indução do sono
150 ml, 30 a 60 minutos antes de deitar (dose extra no início da noite, se necessário)
Melhor horário: à noite, antes de deitar, para o sono.
Uso contraindicado durante a gestação, a lactação e para menores de 12 anos, pela falta de dados de segurança.
Fonte: Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed., monografia de Valeriana officinalis L., p. 205 a 209. Uso adulto e pediátrico acima de 12 anos.
Combina com
Camomila e lavanda
aprofundam o efeito para o sono, mas não some as três de uma vez sem necessidade: o efeito sedativo se acumula
Maracujá
reforça o alívio da ansiedade
Atenção: por ser uma erva sedativa mais intensa, evite combinar várias ervas calmantes na mesma dose sem orientação, e nunca combine com álcool, sedativos sintéticos ou outros medicamentos para dormir sem falar com um médico antes.
Cuidados
- Gestantes, lactantes e menores de 12 anos: uso contraindicado, pela falta de dados adequados de segurança. Foi observado retardo da ossificação fetal com valepotriatos isolados em modelo animal.
- Álcool e sedativos sintéticos: não é recomendada a combinação. Evite também associar com barbitúricos, anestésicos e benzodiazepínicos, pois a valeriana pode aumentar os efeitos terapêuticos e potencializar a depressão do sistema nervoso central.
- Antes de cirurgias: suspenda o uso 15 dias antes.
- Condução de veículos e máquinas: este fitoterápico pode comprometer a capacidade de dirigir ou operar máquinas.
- Efeito gradual: o efeito pleno só aparece após 2 a 4 semanas de uso contínuo, não espere resultado na primeira xícara.
- Doses elevadas (próximo de 20 g ao dia): podem causar fadiga, cólicas abdominais, dor no peito, vertigem e tremores nas mãos, efeitos transitórios que desaparecem em cerca de 24 horas.
- Uso prolongado em doses altas: pode causar dor de cabeça, cansaço, insônia e desordens cardíacas, e aumenta a possibilidade de síndrome de abstinência se o uso for interrompido de forma abrupta. Reduza aos poucos, não de uma vez.
- Uso externo: contraindicado em lesões de pele extensas, febre, infecções severas, distúrbios circulatórios ou insuficiência cardíaca.
- Regra geral: não ultrapasse as doses recomendadas. Em caso de eventos adversos, suspenda o uso e procure orientação médica.
Você sabia?
Durante os bombardeios de Londres na Segunda Guerra Mundial, a valeriana foi distribuída à população para ajudar com a ansiedade e o trauma causados pelos ataques aéreos, um capítulo real da história que ajuda a entender por que ela segue como um dos fitoterápicos mais vendidos do mundo para insônia até hoje.
Referências
- Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. Anvisa, 2021. Monografia de Valeriana officinalis L., p. 205 a 209.
- EMA, European Medicines Agency. European Union herbal monograph on Valeriana officinalis L., radix. Committee on Herbal Medicinal Products (HMPC). Disponível em: https://www.ema.europa.eu/en/documents/herbal-monograph/final-european-union-herbal-monograph-valeriana-officinalis-l-radix_en.pdf.. Acesso em 2026.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica, farmacêutica ou de outro profissional de saúde. Em caso de dúvida, uso contínuo, gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, consulte um profissional antes de usar.

